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Aquele Empate com Gosto de Vitória: Quando a Raça e o Coração “Vencem” a Técnica e a Classe

Olá, amiguinho! Eu tenho certeza que você, como torcedor, já viu empates do seu time com gostos diferentes daqueles de igualdade, já viu empates com gostos amargos, como por exemplo, quando o teu time enfrenta um clube inferior e acaba sem vencer, ou empates com gostos doces de vitória, como quando seu time tinha tudo para perder, mas acaba empatando o jogo no último minuto e você se alivia todo por não sair derrotado. Pois é, enquanto um lado comemora, outro lamenta, podendo ser um empate daqueles que não vale lá muita coisa, mas apenas o fato de não ver o time derrotado (ou vitorioso) pode dar ao empate um gosto diferente daquele convencional. O jogo de hoje é um emocionante jogo da Copa do Mundo de 1998, em que um dos lados comemorou o empate como se tivesse ganho a Copa do Mundo enquanto o outro lado, que poderia ter facilmente goleado, se lamentou de sair com o empate sendo que estava vencendo a partida até o último lance.

PRÉ-JOGO

Holanda e México iriam para a última rodada do grupo E da Copa do Mundo, de um lado, a sempre forte laranja mecânica, que vinha com alguns nomes que haviam jogado a Copa do Mundo de 1994 aliado com uma nova geração que surgia, uma nova geração de grandes nomes como Davids, Kluivert, Seedorf, Overmars, van Bronckhorst, dentre outros. Enquanto isto, o México, que sempre teve grandes goleiros na história, era a seleção de sempre: que tinha um grande goleiro (neste caso, o titular era Jorge Campos) e jogadores medianos que nunca foram grandes nomes do futebol mundial, mas era uma seleção unida, que jogava com garra e determinação, incomodando a todos.

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CAMINHO DAS DUAS EQUIPES ATÉ O JOGO

Na primeira rodada daquele grupo E, o México enfrentou a Coréia do Sul, após terminar o primeiro tempo perdendo por 1×0, o México empatou com Ricardo Peláez, que havia entrado no intervalo, e depois virou e ampliou para 3×1 com dois gols de Luis Hernández, vencendo na estreia, já a Holanda apenas empatou sem gols com a Bélgica na primeira partida daquela Copa do Mundo.

Na segunda rodada foi a vez do México empatar, com a mesma Bélgica. O meia Pável Pardo foi expulso aos 28 minutos da primeira etapa, ao aplicar um duro carrinho por trás em Borkelmans, levando o cartão vermelho direto. Com isto, as coisas ficaram mais fáceis para os belgas, que abriram o placar e terminaram o primeiro tempo vencendo por 1×0. Logo no início da segunda, a Bélgica ampliou. Logo em seguida, Ramírez foi atingido no pé dentro da área, pênalti e expulsão para o belga Verheyen, García Aspe cobrou e diminuiu. Menos de dez minutos depois, Blanco empatou com um gol na raça e assim terminou o jogo entre México e Bélgica, empatado em dois gols. Já a Holanda, jogou contra a Coréia do Sul e aplicou uma goleada por 5×0, com gols de Cocu, Overmars, Bergkamp, Van Hooijdonk e Ronald De Boer, nesta ordem.

Com estes resultados, México e Holanda chegavam com quatro pontos para o último jogo de ambas as equipes no grupo E, com a Holanda na frente e em primeiro lugar no grupo, por conta do saldo de gols. A Bélgica chegava em terceiro lugar, com dois pontos e chances de classificação. A Coréia do Sul já estava eliminada por conta das duas derrotas sofridas.

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O JOGO

Apita o árbitro da Arábia Saudita Abdul Rahman Al-Zeid, começa o jogo em Saint-Éttiene no Estádio Geoffroy-Guichard! A primeira chance é da Holanda, com quatro minutos, Ronald De Boer está com a bola na defesa, ele caminha pelo lado direito holandês, ele passa a bola para Bergkamp, que mata a bola e joga nas costas da defesa mexicana para o camisa 11 holandês, Phillip Cocu, que sai isolado em disparada, uma belíssima jogada, é Cocu contra Jorge Campos, Cocu arremata forte de perna esquerda na saída do goleiro mexicano, joga a bola no canto esquerdo do pequeno goleirão. É gol! Logo aos quatro minutos, a Holanda já abria o placar e vencia por 1×0.

Logo depois, a Bélgica, que estava enfrentando a Coréia do Sul em simultâneo com este jogo, abria o placar com Nilis aos sete minutos da primeira etapa e vencia os sul-coreanos por 1×0. Com estes resultados parciais, o México estava sendo desclassificado para o mata-mata, quem ficava com a segunda vaga do grupo era a Bélgica.

O jogo segue com a Holanda e seu toque de bola envolvente, enquanto o México não conseguia sair para o jogo. São dezoito minutos, o México tenta sair de qualquer forma para o jogo, mas nada dá certo. Numan joga a bola para o alto, a bola segue com os holandeses que trocam passes curtos, até que Overmars recebe a bola, não consegue a dominar direito, mas consegue a manter e a passar de cabeça para Ronald de Boer, que se infiltra no meio da defesa mexicana, ninguém consegue o parar, ele invade a área com a bola, puxa para o meio e arremata de pé direito no cantinho de Jorge Campos, a bola bate na trave e entra, já são 2×0 para a Holanda com menos de 20 minutos de jogo. Estávamos avistando um chocolate holandês para cima dos mexicanos?

É gol de Ronald de Boer!

É gol de Ronald de Boer!

Os holandeses seguem com a bola e propondo o jogo enquanto o México, nos envolventes toques holandeses, não conseguia se encontrar. Numan carrega a bola pelo lado direito mexicano, recua um pouco, a bola chega em Cocu, que sofre a dividida do zagueiro mexicano, mas consegue passar a bola para Marc Overmars, que aparece isolado, na cara de Jorge Campos, que sai do gol e ainda acaba escorregando um pouco no meio do caminho. O goleiro mexicano já não era alto (tinha apenas 1,68m de altura) e ainda se encontrava em parte no chão, estava “fácil” fazer o gol, Overmars o encobriu, mas a bola passou rente ao poste e foi pra fora, o camisa 14 holandês levou as mãos ao rosto, não acreditando no gol que perdeu.

E assim termina o primeiro tempo, com a Holanda vencendo por 2×0 e o México sendo eliminado.

Rola a bola, segundo tempo de jogo, a Holanda volta sem alterações, já o México volta com Allerano no lugar de Braulio Luna. O jogo segue e se mantém semelhante ao primeiro tempo, o México, aos dez da segunda etapa, saca o zagueiro Joel Sánchez e coloca o atacante camisa 9, Ricardo Peláez. A Holanda, por sua vez, aos 25 minutos do segundo tempo, saca Jonk e coloca o experiente Aron Winter e, logo em seguida, tira Numan e põe Bogarde, ou seja, pouco alterou o time.

E são os holandeses quem chegam Davids toca a bola para Ronald de Boer, que passa para Cocu, que sofre, mas consegue passar para Bergkamp, o maestro holandês segura um pouco e devolve a bola para Cocu na entrada da área fuzilar a bola no travessão, que sobe e vai para fora, Cocu lamenta a chance perdida.

No pouco que o México consegue chegar, conseguem um escanteio. Germán Villa na cobrança, ele joga a bola na área e Peláez cabeceia de longe, na tentativa de Bogarde cortar e de Blanco desviar para dentro, a bola quica na frente de Van Der Sar, enganando o goleirão, a bola entra de mansinho para dentro do gol holandês, sem tocar em ninguém após o cabeceio de Peláez. Alguns mexicanos pegam a bola rapidamente e a colocam no círculo central, já outros, como o autor do gol, comemoram a diminuição do placar para 2×1. Três minutos antes deste gol, a Coréia do Sul empatava com a Bélgica em 1×1, com os placares parciais, o México estava passando de fase ainda que estivesse perdendo.

O México acordou para o jogo com o gol de Peláez, passou a ir mais para cima da Holanda, que continuou propondo o jogo com as belas trocas de passes e agora valorizando os contra-ataques. Pouco depois do gol, o craque holandês, Dennis Bergkamp, sai aplaudido pela torcida da laranja mecânica para a entrada de Floyd Hasselbaink. O jogo já está se encaminhando para o final, a Holanda vence por 2×1.

Aos 44 do segundo tempo, após uma falta dura, aquilo que já era difícil ficou ainda pior para o México, que teve Ramírez expulso direto. Entretanto, a esperança é a última que morre e, mesmo com um a menos, o México se lançou com tudo para cima. O juiz concede quatro minutos de acréscimo e o México vem com tudo para cima com dez jogadores determinados a arrancar o empate de qualquer forma.

Já estamos chegando aos 49 do segundo tempo. A Holanda tenta atacar, mas acaba em impedimento. Bola parada para o México, Davino cobra, mete um chutão para frente naquela que poderia ser a última chance para os mexicanos empatarem o jogo. A bola viaja o campo todo. São 49 do segundo tempo, o jogo pode acabar a qualquer momento. Cocu tenta cortar de cabeça na dividida, mas acaba jogando para trás, a bola parecia limpa para Jaap Stam, mas ele dominou mal e perdeu a dividida para Luis Hernández que, na raça e com o coração, conseguiu chutar a bola por baixo dos longos braços de Van Der Sar, para dentro do gol holandês, era o empate! Luis Hernández saiu comemorando com os braços abertos, uma felicidade imensa pelo empate no último minuto, ele abraça Ricardo Peláez e ambos sofrem um “bolinho” de todo o time mexicano, comissão técnica, os reservas… todos juntos comemorando o gol, uma festa incrível de um time que parecia ter ganho a Copa do Mundo naquele momento, mas que conquistava um suado empate que, no máximo, poderia dar uma folga para garantir vaga nas oitavas-de-final contra a Bélgica.

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Hernández empata o jogo!

Hernández empata o jogo!

PÓS-JOGO

Com este resultado e o empate da Bélgica frente a Coréia do Sul, Holanda e México se classificaram para o mata-mata daquela Copa do Mundo, com a Holanda em primeiro lugar no grupo por ter saldo melhor. Na fase de mata-mata, o México, como sempre acontece, fora eliminado nas oitavas-de-final do torneio, ao perder de virada para a Alemanha, já a Holanda eliminou a Iugoslávia nas oitavas-de-final e a Argentina nas quartas-de-final, ambos os jogos foram vitórias holandesas por 2×1 no tempo normal, em que a Holanda saiu ganhando, sofreu o empate e fez o gol da vitória nos acréscimos do segundo tempo. Nas semifinais, a Holanda, após sair perdendo para o Brasil empatou no final do segundo tempo, manteve o resultado na prorrogação (gol de ouro), mas perdeu nos pênaltis por 4×2, com Cláudio Taffarel pegando as cobranças de Cocu e Ronald de Boer. A Holanda chegou ao quarto lugar naquela Copa do Mundo, após perder a disputa pelo terceiro lugar para a Croácia por 2×1.

E esta foi a sexta edição do Jogos “Inenarráveis” aqui no blog do Goleiro de Aluguel! Espero que vocês tenham gostado da abordagem desta partida entre Holanda e México na Copa do Mundo de 1998, em que o México conseguiu um empate heroico no último lance e fez uma festa incrível pelo resultado obtido ainda que pouco valesse este jogo, esta é uma daquelas emoções que apenas o nosso tão amado futebol proporciona e que faz a beleza deste esporte que move e encanta multidões! Semana que vem, o quadro volta abordando a história de mais um lendário jogo. Até semana que vem!

3ª RODADA DA COPA DO MUNDO DE 1998 (OS GOLS DE HOLANDA 2 x 2 MÉXICO EM 30:34):