Um Jogo com Mais de Trinta Anos

Sabem aqueles jogos decisivos em que um time perde e algum tempo depois tem a oportunidade de revidar em cima de um adversário que se tornou rival por conta de um jogo marcante? Então, a icônica partida de hoje “começou” em 1982, com uma história que iniciou em 1978, e só teve um desfecho em 2014. Por não ter tanta tradição no futebol, talvez você desconheça a história argelina na Copa do Mundo de 1982, mas o jogo entre Alemanha e Argélia nas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2014 foi um jogo repleto de histórias, além de, obviamente, ter sido um jogão dentro das quatro linhas.

Vamos por partes nesta história deste jogão:

COPA DO MUNDO DE 1978

A Argélia não se classificou para esta Copa do Mundo, apenas a Alemanha se classificou (a Alemanha Ocidental se classificou, a Oriental não). A Alemanha Ocidental caiu no Grupo 02 daquele mundial e passou de fase após vencer o México por 6×0 e empatar sem gols com a Tunísia e a Polônia, terminando em segundo lugar na chave.

Na segunda fase de grupos, haveriam duas chaves e as seleções que terminassem em primeiro lugar em cada chave disputariam a grande final. A seleção que terminasse em segundo lugar no grupo, disputaria com a outra equipe que terminou em segundo lugar da outra chave a decisão de terceiro lugar.

Nesta segunda fase, A Alemanha empatou com a Itália sem gols e com a Holanda em 2×2. Na última rodada, contra a seleção austríaca, um empate poderia garantir os alemães na decisão de terceiro lugar, uma vitória garantia a seleção na decisão pelo terceiro lugar, além de uma possível final dependendo da combinação de resultados.

Apesar de já eliminada, o que se viu foi uma seleção austríaca aguerrida, valente, raçuda e que não desistiu um minuto sequer. Tamanha obsessão austríaca, os trouxe a vitória por 3×2, em um inenarrável jogo que ficou conhecido como “Milagre de Córdoba”. Este resultado fez com que os alemães fossem eliminados da Copa e esperassem uma revanche contra os austríacos.

Imagem da vitória austríaca sobre os alemães na Copa do Mundo de 1978.

Imagem da vitória austríaca sobre os alemães na Copa do Mundo de 1978.

COPA DO MUNDO DE 1982

Na Copa do Mundo de 1982, Argélia, Áustria e Alemanha Ocidental se classificaram e ambas caíram no mesmo grupo, o grupo 02 daquele mundial, juntamente com o Chile. Na primeira rodada, os argelinos venceram os alemães por 2×1 e os austríacos venceram os chilenos por 1×0. Na segunda rodada, a seleção da Alemanha Ocidental venceu o Chile por 4×1 e a Argélia foi derrotada pela Áustria por 2×0. Na última rodada, os argelinos venceram, no dia 24 de junho de 1982, os chilenos por 3×2, agora dependiam do resultado do jogo entre Áustria e Alemanha para se classificarem, jogo este que ocorreria no dia seguinte.

Pelas duas vitórias e saldo, a Áustria podia perder por até dois gols de diferença para os alemães que estaria classificada, já aos alemães, uma vitória qualquer interessava-os para se classificarem à próxima fase. Para a Argélia se classificar, a Alemanha tinha que perder, empatar ou vencer a seleção austríaca por três ou mais gols de diferença.

Havia toda aquela rivalidade por causa do jogo entre as duas seleções na Copa do Mundo de 1978, o torcedor alemão, certamente, queria ver a Alemanha golear e eliminar os austríacos para dar o troco quatro anos depois. Começa o jogo, os dez primeiros minutos foram de total domínio alemão, que bombardeou a seleção austríaca, isto fez com que, aos dez minutos da primeira etapa, a Alemanha abrisse o placar com Hrubesch, de cabeça. Com este resultado, tanto a Alemanha Ocidental quanto a Áustria estavam classificadas.

Entretanto, por mais que os torcedores alemães quisessem ver a seleção dar o troco sobre os austríacos, o que se viu após o gol alemão foi um digníssimo “jogo de comadres”, em que houveram pouquíssimas chances de gol criadas para ambos os lados, as equipes chutavam a bola de um lado para o outro e prendiam a posse no próprio campo, sem ameaças. O único jogador que parecia querer jogar futebol era o austríaco Schachner.

A torcida presente ficou furiosa com o que acontecia, começou a gritar cânticos como “Fuera! Fuera! Fuera!”, “Argélia! Argélia! Argélia!” e “Que se besen!”. Alguns foram além, um argelino que assistia ao jogo chegou a mostrar notas de dinheiro para os jogadores e um alemão queimou a bandeira do próprio país em sinal de protesto. O comentarista alemão Eberhard Stanjek se recusou a comentar o resto do jogo e o comentarista austríaco Robert Seeger pediu para que os espectadores desligassem as televisões, para não terem de assistir aquela vergonha que ficou conhecida como “Pacto de Não-Agressão de Gijón”. E assim terminou o jogo: Alemanha Ocidental 1×0 Áustria, alemães e austríacos classificados, argelinos eliminados, muitas vaias justas da torcida presente que viu aquele jogo horrível, vaias estas que foram sentidas pelo temperamental goleiro alemão Harald Schumacher, que devolveu xingamentos a torcedores na saída.

Imagem do jogo entre Alemanha Ocidental contra a Áustria na Copa do Mundo de 1982: torcedores xingando o capitão alemão Rummenigge.

Imagem do jogo entre Alemanha Ocidental contra a Áustria na Copa do Mundo de 1982: torcedores xingando o capitão alemão Rummenigge.

Depois desta vergonha, a FIFA determinou que a partir da Copa do Mundo de 1986, todas as partidas da última rodada da fase de grupos seriam decididas na mesma data e horário, para não ocorrer (ou pelo menos evitar) outros desastres.

HISTÓRIA DAS SELEÇÕES ATÉ A COPA DO MUNDO DE 2014

De lá pra cá, a Alemanha Ocidental participou das Copas do Mundo de 1986 e 1990, sendo campeã nesta última edição. Pouco após a Copa do Mundo de 1990, Alemanha Oriental e Ocidental reunificaram-se e a Alemanha voltou a disputar a Copa do Mundo como um só país em 1994, participando de todas as edições de Copas do Mundo até então. A Áustria participou apenas em 1990 e 1998, sendo eliminada na primeira fase em ambas as ocasiões. A Argélia se classificou para a Copa do Mundo de 1986, 2010 e 2014.

Em Copas do Mundo, ambas as seleções nunca mais haviam se enfrentado, mas isto iria acontecer na Copa do Mundo aqui do Brasil e toda a carga daquelas partidas da Copa do Mundo de 1982 estariam presentes em um jogo entre Alemanha e Argélia trinta e dois anos depois. Toda a história você confere agora.

CAMINHOS DAS DUAS SELEÇÕES ATÉ O JOGO

ALEMANHA: a seleção alemã caiu no grupo G, junto com Portugal, Gana e Estados Unidos. Aplicaram uma goleada por 4×0 em Portugal, empataram com Gana em um gol e venceram pelo placar mínimo os estadunidenses para terminar em primeiro lugar no grupo e chegar às oitavas-de-final, enfrentariam a segunda colocada do grupo H, no caso a Argélia.

ARGÉLIA: os argelinos caíram no grupo H, perderam para os belgas na estreia por 2×1, se recuperaram, após vencer por 4×2 a Coréia do Sul na segunda rodada e um empate em um gol com os russos foi suficiente para classificar a seleção da Argélia para o mata-mata de uma Copa do Mundo pela primeira vez na história do país! E teriam um adversário duro pela frente, a poderosa e tradicional Alemanha, além de claro, todo o fator histórico evidenciado neste artigo.

JOGO

Özil disputa bola com Mandi.

Özil disputa bola com Mandi.

A Alemanha vem trajada toda de branco e a Argélia toda de verde, o que é uma pena, visto que na Copa do Mundo de 2014, as seleções foram deveras padronizadas por conta de uma ridícula determinação da FIFA, que obrigava uma seleção a jogar com uniformes totalmente “frio” e outro totalmente “quente”, fazendo com que as tradições das seleções fossem aniquiladas por conta desta regra ridícula. A Argélia, que sempre jogou de camisas e calções verdes com meias vermelhas, teve que jogar toda de verde e a Alemanha, que sempre jogou com camisas e meiões brancos acompanhados de calções pretos, teve de jogar toda de branco.

Rola a bola no Estádio do Beira-Rio, apita o árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci, dá a saída os alemães, está rolando a bola e valendo uma vaga nas quartas-de-final da Copa do Mundo. As duas seleções começam buscando o gol na base da ligação direta. Logo no começo, ninguém amolece nas divididas. A promessa é de um jogão pegado, sem ainda termos chances de perigo para qualquer lado.

São oito minutos de jogo, o atacante argentino Slimani recebe um belo lançamento e Neuer sai do gol com tudo para interceptar, mas Slimani domina antes e tenta passar por Neuer, caminhando com a bola até a linha-de-fundo, na hora de chutar, Slimani é travado pelo goleiro alemão. Nada acontecia, mas, por conta da saída arriscada de gol, os alemães ficaram com um pouco de frio na barriga em sofrer o primeiro gol logo cedo.

Estamos com treze minutos passados da etapa complementar, agora é a vez da Alemanha chegar, Schweinsteiger recebe e chuta de longe com perigo, o goleiro argelino Raïs M’Bolhi espalma a bola para o alto, em seguida, encaixa e sai para o jogo.

O jogo é lá e cá, agora vem a Argélia, com o craque Feghouli, que está com a bola dentro da área alemã próxima a linha-de-fundo, ele puxa a bola para o meio, limpa a marcação de Boateng e fica um pouco sem ângulo, ainda sim, resolve chutar, a bola passa o gol e vai por cima… quem sabe se Feghouli tivesse passado a história não fosse outra…

Feghouli recebe a marcação de Höwedes, com Götze ao fundo.

Feghouli recebe a marcação de Höwedes, com Götze ao fundo.

E vem a Argélia com o lateral-esquerdo Ghoulam, ele está com a bola no ataque, prendendo e tentando encontrar espaço. Ghoulam encontra espaço e cruza na medida de Slimani que se estica, cabeceia de “peixinho” para o fundo das redes alemãs. É gol! Mas não valeu… Slimani estava pouca coisa a frente de Boateng, o último homem alemão. Impedimento difícil, mas muito bem marcado pelo bandeirinha.

Nesta primeira etapa só dá Argélia, são dezoito minutos e os argelinos vêm com Soldani pela esquerda, ele caminha em direção a área alemã, enfia a bola para Ghoulam já chegar chutando cruzado de canhota, a bola passa por Neuer e segue pela linha-de-fundo, mais uma grande chance dos argelinos.

Finalmente a Alemanha volta a atacar, aos 24 minutos do primeiro tempo. A tabelada tradicional e envolvente dos alemães sai, a bola chega para Özil livre na esquerda, todos esperam o cruzamento, mas Özil tenta por cobertura direto para o gol, surpreendendo a todos e fazendo com que o goleiro M’Bolhi empurre a bola para escanteio. No tiro-de-canto, nada acontece e a Argélia retoma a bola.

Aos 27 minutos, Neuer mais uma vez sai do gol para evitar o pior. Neuer estava jogando muito adiantado devido as constantes enfiadas de bola e ligações diretas do time argelino. Desta vez, Neuer teve de sair do gol porque Mertesacker não esperava a pressão de Slimani, ele se enrolou e perdeu a bola que estava sobrando para Soudani, mas Neuer chegou antes de carrinho e jogou a bola para o lateral.

Neuer sai do gol e afasta a bola de carrinho!

Neuer sai do gol e afasta a bola de carrinho!

A Argélia estava muito bem postada em campo, criando boas jogadas e se fechando muito bem, o jeito era tentar de longe, e foi o que fez Özil, que arriscou de fora da área forte e obrigou M’Bolhi a espalmar a bola, no rebote, a bola sobrou para Thomas Müller que se atrapalhou e acabou mandando para tiro-de-meta.

Tem escanteio a Argélia, a zaga alemã corta, mas a bola sobra para Mandi arriscar o chute forte de longe. Mandi chuta no centro, mas a bola desvia em Boateng e vai para fora, passou muito perto e Neuer, com o desvio, já tinha sido vencido na jogada. Que jogão estamos tendo! E estamos só no primeiro tempo.

Chegamos aos 40 minutos da primeira etapa e vem a Alemanha, mais uma vez arriscando de longe, agora com Toni Kroos, ele chuta e M’Bolhi cai para defender no canto, mas o rebote sobra para Mario Götze, é só ele e o gol! Mas M’Bolhi se levanta, se abre e se agiganta para cima do alemão e defende o rebote também. M’Bolhi fazia duas grandes defesas e salvava a Argélia. Era a melhor chance de gol até o momento no jogo.

Pouco depois, o capitão argelino, o zagueiro Halliche, toma um cartão amarelo após uma entrada duríssima em Schweinsteiger. E este foram os melhores momentos do primeiro tempo, até então, sem gols.

As equipes voltam para o segundo, a Alemanha volta com Schürrle no lugar Götze. Schürrle já entrou com tudo e oferecendo perigo, chegou perto do gol, mas foi travado e a bola foi para escanteio. Os alemães cobram curto, Kroos faz a jogada, cruza na cabeça de Mustafi, que cabeceia nas mãos do goleiro M’Bolhi. Em seguida, a Argélia tenta algo, mas a bola vai para tiro-de-meta, Neuer cobra longo e faz uma ligação direta para Schürrle, mas a zaga argelina corta outra vez para escanteio. Schürrle botou fogo no jogo e a Alemanha começou com tudo a segunda etapa.

São dez minutos do segundo tempo e vem a Alemanha novamente, na tradicional tabelada e triangulação do time, Schweinsteiger recebe na entrada da área e pisa para Phillip Lahm chegar arrematando, ele chute forte, com efeito, no ângulo direito de M’Bolhi, que vai buscar e espalma a bola para escanteio. Pressão da Alemanha no começo do segundo tempo!

Ainda não, Ghoulam...

Ainda não, Ghoulam…

A Argélia tenta, mas não consegue espaço, os alemães chegam com mais perigo. Mustafi não aguenta, se lesiona e sai para a entrada de Sami Khedira. Logo em seguida, os argelinos vêm com mais uma ligação direta para Slimani, mas outra vez Neuer sai do gol e afasta a bola para lateral, agora ele tirou de cabeça. Pouco depois, foi a vez dos argelinos tentarem de longe, visto que não arranjavam espaços: Feghouli tentou um chute cruzado de fora da área, que passou do lado do gol alemão e arrancou vários “uuuh!” do público presente.

Já são 33 minutos do segundo tempo, vem a Alemanha com Müller pela direita, ele chega na linha-de-fundo, evita a saída com um cruzamento na cabeça de Schweinsteiger, o cabeceio não faz o desvio necessário e vai pra fora, mas passa perto e deu um susto nos argelinos. Logo depois, a Alemanha vem mais uma vez tentando a bola aérea, a jogada sai novamente pelo lado esquerdo argelino, com Lahm, que cruza na cabeça de Müller, mas M’Bolhi salva mais uma vez, uma grande defesa, que deu rebote, mas a bola caiu nos pés de Schürrle, que arremata, só que o zagueiro Belkalem se mete na frente e consegue desviar a bola para escanteio.

Em seguida, o técnico bósnio da Argélia, Vahid Halilhodžić, faz a única substituição no tempo normal: Taïder sai para a entrada de Brahimi.

A Argélia tenta, mas não consegue oferecer perigo eminente aos alemães, que querem o gol antes do tempo normal acabar. Müller recebe lançamento, domina com a perna direita, ajeita limpando a marcação de Belkalem e chuta para o gol, mas a bola vai para fora. A bola deveria ser arrematada de canhota. Müller não acredita na chance que perdeu.

Neuer afasta de cabeça agora

Neuer afasta de cabeça agora

Agora, dois momentos engraçados no jogo: primeiro, com Boateng chutando de longe para o gol, mas a bola tocou no braço de Feghouli que tentou fingir que a bola havia desviado no rosto, mas não deu certo. Na falta, a barreira estava formada e jogadores alemães posicionados para a cobrança. Schweinsteiger corre e passa por cima da bola, para enganar a barreira, Müller corre e é ele quem vai para cobrança, mas Müller acaba escorregando e a jogada ensaiada não sai nem perto do planejado. A seleção da Argélia retoma a posse de bola após a cobrança e sai jogando.

Ainda tem jogo! Estamos em 43 minutos do segundo tempo. Feghouli recebe um bom passe de Lacen, ele vai sair livre, apenas ele e Neuer… mas adivinhe? Neuer se antecipa, sai do gol e corta de carrinho a bola para o lateral. Em seguida, a Alemanha sai com a bola, tenta o cruzamento na área, a bola vai para Schweinsteiger, ele cabeceia no chão, mas M’Bolhi agarra e salva mais uma vez. Este foi o último lance de perigo no tempo normal. Fim de jogo, 0x0, vamos para os dois tempos de quinze minutos da prorrogação.

Começa a prorrogação, dá saída de bola a Alemanha.

Realmente, o lado direito dos argelianos era uma avenida, a Alemanha tentava quase sempre por este setor. Os alemães vêm com Müller, que enfia a bola no meio para Schürrle, ele desvia de letra, desengonçado, mas suficiente para deslocar o goleiro M’Bolhi e mandar para dentro do gol! A prorrogação mal havia começado e a Alemanha abria o placar logo aos dois minutos do primeiro tempo do tempo extra. Agora estavam com o jogo na mão, bastava segurar o resultado contra uma Argélia que precisava vir para cima.

Schürrle abre o placar para os alemães!

Schürrle abre o placar para os alemães!

O capitão argelino, Halliche, sai para a entrada de outro defensor: Bougherra. Pouco depois, o atacante Soudani sai para a entrada do meia Djabou.

A Argélia vem com tudo para cima, precisa do gol. Aos onze minutos do primeiro tempo da prorrogação, consegue criar muito perigo: Brahimi cobra o escanteio, joga na área, Khedira tenta cortar, mas falha e acaba “ajeitando” a bola para Mostefa, que estava a uma distância próximo da marca do pênalti ao gol, ele chuta a bola para fora e perde uma grande chance de empatar a partida. Mostefa lamenta muito o gol perdido. Este foi o primeiro tempo da prorrogação: muito pegado, com um gol da Alemanha e a Argélia quase empatando. Vamos para o segundo tempo.

Os argelinos chegam e tentam, o jogo segue duro, Phillip Lahm acaba segurando Brahimi pelo calção, acaba rasgando o calção do adversário, por isto leva o amarelo (só tivemos dois amarelos no jogo, o de Halliche e este). É falta. Brahimi mesmo quem cobra, mas ninguém sobe no cabeceio, a bola vai para as mãos de Neuer. Em seguida, o técnico Joachim Löw mexe pela última vez na seleção alemã: ele tira Schweinsteiger para a entrada de Kramer.

Já estamos chegando no fim do jogo, são onze minutos do segundo da prorrogação, é a Alemanha quem chega. Khedira está com a bola no meio, ele enfia para Müller dentro da área. M’Bolhi sai. Müller passou pelo goleiro, mas vai muito para a linha-de-fundo, ele tenta o passe para Özil, mas o zagueiro argelino Mandi se antecipa e afasta a bola, na continuação da jogada, a Argélia vem para cima do gol e Slimani parecia sair na cara de Neuer, mas Boateng o alcança na corrida e faz um belo desarme, que evitou um possível gol de empate argelino.

É lá e cá. Que jogo! A Alemanha tabela e cria a jogada, saem Özil (com a bola), Schürrle e Müller contra dois zagueiros argelinos e o goleiro. M’Bolhi sai para cima de Özil e os zagueiros Belkalem e Bougherra vão tentar evitar o gol na linha. Ao perceber a saída do goleiro, Özil tocou para Schürrle, que chutou para o gol, mas Belkalem tira a bola em cima da linha, só que a bola cai nos pés de Özil, que chegou chutando para o gol. Gooool! Aos catorze minutos e meio do segundo tempo da prorrogação, a Alemanha abria 2×0 no placar e encaminhava a vaga para as quartas-de-final!

Özil faz o segundo gol, será que matou o jogo?

Özil faz o segundo gol, será que matou o jogo?

O juiz deu dois minutos de acréscimo. A seleção da Argélia não se entregou um minuto sequer! Continuou tentando o milagre. Um minuto depois de ter sofrido o segundo gol, Feghouli faz a jogada pelo lado esquerdo alemão, cruza na área nas costas de todo mundo e encontra Slimani livre para arrematar e diminuir a diferença no finalzinho. É um gol que bota fogo no jogo de novo! A Argélia tinha pouco mais de um minuto para tentar o impossível.

A Argélia veio com tudo para cima, não tinha nada a perder, mas o gol não saiu. Final de jogo no Beira-Rio! A Alemanha se classificava para as quartas-de-final da Copa do Mundo em um histórico e suado jogo.

CURIOSIDADES

Pelas grandes defesas e ter segurado muito no jogo, o goleirão argelino Raïs M’Bolhi foi eleito o melhor jogador da partida. Na fase das oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2014, dos oito jogos, em cinco o melhor jogador da partida foi um goleiro. Entretanto, destes cinco goleiros, apenas dois venceram os jogos que disputaram. Foram eles:

– Júlio César, da seleção brasileira: Brasil 1×1 Chile (pênaltis: Brasil 3×2 Chile)

– Guillermo Ochoa, da seleção mexicana: Holanda 2×1 México

– Keylor Navas, da seleção costarriquenha: Costa Rica 1×1 Grécia (pênaltis: Costa Rica 5×3 Grécia)

– Raïs M’Bolhi, da seleção argelina: Alemanha 2×1 Argélia (prorrogação)

– Tim Howard, da seleção estadunidense: Bélgica 2×1 Estados Unidos (prorrogação)*

*neste jogo, Tim Howard estabeleceu um recorde na história das Copas do Mundo: o maior número de defesas difíceis realizadas em um jogo só, com 16 defesas consideradas difíceis.

Raïs M'Bolhi, goleiro da Argélia, o melhor jogador em campo.

Raïs M’Bolhi, goleiro da Argélia, o melhor jogador em campo.

PÓS-JOGO

Como todos sabem da recente história, a Alemanha foi campeã da Copa do Mundo de 2014 após ter vencido a França nas quartas-de-final por 1×0, ter aplicado e histórico e vergonhoso 7×1 sobre o Brasil nas semifinais e venceu, na prorrogação, a seleção argentina por 1×0 na grande final para ser tetracampeã do mundo, ganhando um título mundial novamente 24 anos depois da última conquista, ainda como Alemanha Ocidental, quando ainda estava separada e não era um só país.

Entretanto, o que surpreende a todos foi a participação da Argélia na Copa do Mundo, de uma seleção que conquistou a vaga para uma fase de mata-mata de Copa do Mundo pela primeira vez na história do país, que já surpreendeu a todos ao ter conseguido uma suada classificação. Nas oitavas-de-final, enfrentaria um adversário muito forte, que tinha todo o favoritismo ao lado e todos apostavam em uma goleada nos 90 minutos, além de uma carga histórica pesada envolvida no confronto. Aconteceu que a Argélia jogou muita bola, criou perigo e assustou muito os alemães. A Argélia perdeu, mas não se entregou em nenhum minuto, protagonizou com a Alemanha um dos melhores jogos da Copa do Mundo de 2014 (se não o melhor) e, com um pouco mais de sorte, poderia segurado um empate e levado a decisão para uma decisão por pênaltis, quem sabe não tivesse se classificado nas penalidades máximas. Foi uma participação muito digna na Copa do Mundo!

MELHORES MOMENTOS: