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Penalti virou febre na Copa da Rússia. Apenas na 1ª fase já foram 20 penais até ontem.
 
Destes, 5 não foram convertidos. 2 foram defendidos, sendo que um deles entrou para história pois se tratou de um pênalti defendido pelo jogador mais velho a disputar uma partida de copa. El Hadary defendeu a cobrança de Fahad Al Muwallad, alias uma bela defesa, muito bem executada. Detalhe que ainda nem chegamos na fase de mata-mata.
 
Se é a COPA DOS PENALTIS, naturalmente temos aumentado o grau de “protagonismo” dos goleiros do torneio. Pensando nisso, resolvi escrever sobre MITOS E VERDADES SOBRE DISPUTAS DE PENALTIS, logicamente levando em consideração o ponto de vista do goleiro:
 
– GOLEIRO DEVE ESPERAR O PENALTI MAL BATIDO:
Poder esperar o goleiro até pode. Mas costumo dizer que quando o goleiro espera o chute “mal batido”, na verdade ele “escolhe” ou “advinha” o meio do gol. Antes que vc fique bravo e diga que o Goycochea esperava, dê uma olhada no post anterior, onde eu apresento alguns números sobre a bola utilizada na copa. O dado que importa é que a bola de hoje, é quase 30% mais rápida do que a utilizada nos anos 90. Isso significa que é quase fisicamente impossível chegar numa bola que saia do raio de envergadura goleiro. Imagine reagir e executar um salto de 1m (relativamente perto do corpo) para alcançar um “foguete” de um Cr7!?
 
– GOLEIRO ESTUDA OS BATEDORES ANTES DO JOGO:
Na era onde o que há de mais valioso no mundo é a INFORMAÇÃO, não poderia ser diferente no mundo dos goleiros. Hoje as seleções de todo mundo possuem setores de coleta de dados altamente profissionais, com estatísticas de aproveitamento dos mais improváveis batedores o que leva o “estudo” dos goleiros, muito além dos vídeos que eram observados antes das partidas de antigamente. Hoje vc consegue ter uma ideia de probabilidade de qual canto, qual velocidade, qual timming, por exemplo, de cada batedor. Isso tudo aumenta a chance de defesas de forma exponencial.
 
– COMO FUNCIONA A “LEITURA” PARA DECIFRAR O CHUTE DO PENALTI?
Não existe uma receita de bolo. Cada guapo tem seu método. Desenvolvido através de ciência e técnica, intuição ou “mandinga”, mas cada um faz a sua estratégia de defesa de penal, da forma que acredita. Vou falar um pouco da minha:
 
– Levo em consideração primeiro o que tenho de informação do batedor: que perna chuta, cantos mais buscados, estilo de cobrança;
 
– Depois procuro identificar seu perfil de jogo. Se o cara é mais bruto, geralmente ele tende a usar mais força e é provável que execute um chute de “segurança”, que chamamos de “chute cruzado”, onde bate no lado inverso ao da sua perna de execução. Ele costuma escolher esse chute, por uma questão de alavanca corporal, uma vez que, é mais fácil imprimir força dessa forma. Esse chute costuma vir depois de uma corrida com o tronco inclinado para frente, para que consiga executar o movimento de alavanca para colocar a força no chute.
Já o jogador mais técnico, ele tem o recurso do chute no mesmo canto da perna, geralmente de “chapa”. Costuma ser um chute melhor colocado, com mais precisão, porém geralmente é mais lento. Apesar dos jogadores que utilizam esse chute serem extremamente técnico, na maioria das vezes, no ato do chute eles precisam deslocar o ombro para o lado de sua perna de chute, entregando nesse instante o canto escolhido para a batida.
 
– Também costumo analisar a atuação do atleta que vai bater. Se o cara está jogando bem e confiante, ele costuma buscar uma batida mais técnica (dentro de sua característica). Se o jogo está mais difícil pra ele, ou emocionalmente mais “pegado”, é bem possível que execute uma cobrança de segurança (chute cruzado).
 
Claro que tudo isso são probabilidades. Pode ocorrer de todas esses itens apontarem para um lado, e o batedor ir lá e chutar no outro. Tudo é uma questão de momento. Mas principalmente estado mental. Lembrando que as probabilidades de defesa são de aproximadamente 35%. O que deixa o batedor com a responsabilidade maior ( a menos que você seja o Diego Alves, o maior pegador de pênaltis já registrado, que possui uma média de apavorantes 82% de cobranças defendidas).
 
E você? Qual sua estratégia? Compartilha com a gente!!!
 
Escrito por Igor Costa.