O melhor goleiro do mundo na atualidade, jogou contra o Brasil. Keylor Navas deu um espetáculo de “goleiragem”, apresentando um vasto arsenal de recursos que o credenciam como o goleiro que vive o melhor momento técnico no futebol mundial atual.

Sobre o jogo, podemos dizer que independente de torcida, ou análises de qualidade de atuação, os números mostram que Brasil dominou o jogo. Apesar das finalizações não terem sidos das mais eficientes, o volume que se apresentou foi considerável. Mas na maioria das finalizações, Navas estava lá para evitar o gol brasileiro.

O repertório do costarriquenho é riquíssimo. Técnica de intervenção tem de sobra, vide a defesa do chute de Marcelo no 1º tempo. Apesar da bola ter sido fraca, é em lances como esses que dá pra ver a técnica aplicada pelo goleiro. Nesse lance Navas executa a queda atacando a bola, na diagonal pra frente como está escrito na cartilha do bom goleiro.

Houveram também pelo menos 4 intervenções seguras, sem firulas, que pareceram fáceis. Chamo atenção para uma defesa na qual ele executa uma “manchete” para o lado e faz a defesa na sequência, mostrando que não tem vaidade para fazer o que for mais seguro.

Mas teve milagre também, numa finalização à queima roupa do Neymar, no ângulo esquerdo. O lance, foi muito parecido com o do gol: a bola chega na lateral e é cruzada forte e baixa, pra alguém entrar batendo de primeira. Neymar deu uma chapa linda no contra pé de Navas, que reagiu de forma inacreditável. Com a mão direita, desviou a trajetória da bola por cima do seu gol. Simplesmente brilhante. Lembrou na execução o movimento da defesa que o Buffon fez na final da copa de 2006, naquela cabeçada do Zidane. A defesa mais bonita da copa, até o momento foi essa.

No nosso gol, Alisson não foi exigido em intervenções. Executou 2 boas coberturas, interceptando ataques fora da área, por trás da defesa. Trabalhou muito bem com os pés, tanto na armação, quanto no desafogo da defesa brasileira. Item que está sendo fundamental para receber sondagens do Real Madrid, atual time de Keylor Navas, que tem nesse item uma falha em seu jogo.

Teve um lance de um cruzamento que o Miranda cortou, no qual eu vi um movimento na internet reclamando que deveria haver uma saída dele, pq segundo a sabedoria popular “bola na pequena área é do goleiro!”… VAMOS ACABAR COM ISSO… São 100m², é fisicamente impossível um indivíduo interceptar um objeto lançado a uma velocidade média de 68 km/h (pra quem não entendeu essa é a bola), visando cobrir e salvaguardar um espaço como a pequena área. Se ele sai na cabeçada do 2º pau e chega atrasado, das duas uma: ou ele faz pênalti e vc estaria cornetando ele pq não precisava sair. Ou ele não faz pênalti, mas não chega inteiro na bola, deixa ela pipocar na área, sofre o gol, e olha vc aí cornetando de novo. Repito, Alisson é um goleiro seguro, tanto que junto com Navas, está na seleção da temporada da UCL. E pra surpresa da maioria: não tem nenhum jornalista gaúcho ou sulista pra eleger essa seleção! Se você confia na eleição de CR7 como melhor da Europa, vc não pode renegar a condição de Alisson.

Nas outras pequenas áreas, nada de muito destaque. Talvez a defesa do suíço Sommer numa cabeçada aos 4 minutos do 1º tempo. E teve aos 29’ uma do Stojtkovic, no canto direito, embaixo, depois de finalização há menos de 5m de distância. Defesa bela, apesar de a velocidade do chute não ter sido tão grande.

Mas voltando ao Navas, acredito que boa parte do nervosismo que tomou conta do time brasileiro, em determinado momento do jogo, se deu devido a sua atuação. Lembra daquele lance aos 26 do segundo tempo, em o Neymar pega aquela bola sozinho na meia-lua e bate pra fora? Aquilo ali mostra todo o respeito e preocupação em tirar a bola do goleiro e acaba errado. Eu chamo isso de “defesa passiva”, onde não há toque na bola, mas há uma clara ação do goleiro, seja de fechamento de ângulo, seja por intimidação… Apenas goleiros de altíssimo calibre são capazes de defender sem defender.

Escrito por Igor Costa.