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O Fim dos (Bons) Tempos

Depois de uma semana de molho, hoje o Muralhas Lendárias volta abordando a carreira de Christian Abbiati, ou simplesmente Abbiati, goleiro italiano com grande carreira no Milan e que se aposentou neste último domingo. Com a aposentadoria de Abbiati aos 38 anos, podemos dizer que o goleirão era, até então, o último remanescente no Milan dos tempos áureos da Serie A italiana e também do time rossonero, afinal ele era o único do esquadrão que ainda estava presente naquelas vitoriosas campanhas de 2003 até 2008.

Abbiati nasceu 08 de Julho de 1977 na cidade de Abbiategrasso (apesar do nome parecido, nada que tenha relação profunda com a cidade natal) e começou a carreira juvenil em um dos times da cidade, o Aurora OSGB, aos onze anos de idade. Durante a carreira juvenil iria passar primeiro pelo Aurora, depois pelo Atletic Trezzano, iria treinar no Assago e por dois anos no Corsico, começando a carreira em 1988 até se profissionalizar em 1994.

Enquanto a Itália de Pagliuca (goleiro abordado na segunda edição do quadro) estava sendo vice do Brasil na Copa de 1994, Abbiati estava virando profissional mais ou menos naquela altura e o primeiro clube da carreira profissional da muralha de hoje foi o SSD Monza, time da terceira divisão italiana. Por lá, pouco atuou no começo, aonde jogou apenas um jogo (e uma derrota por 1×0 para o Modena) e de lá seria emprestado ao Borgosesia, time da Serie D.

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Abbiati ainda novo e com muito cabelo no começo da carreira no rossonero

Pelo Borgosesia, Abbiati teria um começo um pouco instável, mas logo se firmaria e faria uma grande temporada, conquistando o acesso com o time para a Serie C2 do campeonato italiano; durante este período ele foi convocado para o time amador da Itália, time dos militares e até o Sub-20 C, chegou até mesmo a ser emprestado ao Torino (Abbiati chegou a estar registrado no Monza, Borgosesia e Torino ao mesmo tempo) para disputar o Torneio de Viareggio, aonde ele jogou apenas um jogo que terminou empatado em 2×2 com o Cagliari.

Após uma excelente temporada 1995/1996 pelo Borgosesia, Abbiati voltou ao Monza para a temporada seguinte. Voltou começando como reserva de Gatta, mas se tornara titular na 11ª rodada da Serie C1, aonde realizara mais uma excelente temporada, conquistando o acesso para a Serie B nos play-offs, jogando 25 jogos ao total e tomando apenas 17 gols, sendo o goleiro menos vazado da competição. Na temporada 1997/1998, o Monza de Abbiati quase foi rebaixado à Serie C1, continuando na segunda divisão italiana por apenas três pontos; Abbiati não teve culpa por tal fator, fazendo grandes defesas e partidas, mas a equipe, no geral, era muito fraca comparada às demais.

Nesta mesma temporada, Abbiati seria convocado para ser o goleiro da Itália Sub-21, estreando contra Malta em uma vitória por 1×0. Pela seleção italiana sub-21, Abbiati seria campeão UEFA Euro 2000 U21 e como goleiro titular, em uma equipe de novatos que se tornaram grandes nomes, como Pirlo, Gattuso e Perrotta, entretanto, nesta época da UEFA Euro 2000 U21, Abbiati já estava no Milan.

Apesar da situação em que vivia no Monza, Abbiati, na temporada seguinte, seria contratado pelo gigante Milan. A estreia de Abbiati na Serie A foi no dia 17 de Janeiro de 1999 em um jogo que o Milan venceu o Perugia por 2×1, entrando no jogo devido à expulsão do goleiro Sebastiano Rossi aos 47 do segundo tempo, e neste curto período até o jogo terminar, mostrou serviço fazendo uma bela defesa que salvou a vitória do rossonero.

Abbiati atuando pela seleção italiana sub-21

Abbiati atuando pela seleção italiana sub-21

Esta defesa que segurou o resultado para o Milan foi muito importante na carreira de Abbiati, que com a expulsão de Rossi, passou a ser o titular das metas do Milan. Durante o decorrer da temporada, Abbiati foi essencial com boas atuações debaixo das traves que deram ao rossonero o 16º título da Serie A. Na temporada seguinte faria a primeira partida da carreira na UEFA Champions League, em um jogo que terminou 0x0 com o Chelsea fora de casa, mas o Milan não faria uma boa fase de grupos, sendo eliminado logo na primeira fase após apenas uma vitória, três empates e duas derrotas, terminando em último lugar (grupo composto por Milan, Chelsea, Hertha Berlim e Galatasaray).

Abbiati seguiu nas titularidades do Milan até a temporada 2002/2003. Depois do título da Serie A 1998/1999, o Milan passou a ser o time do “quase” e não ganhou mais títulos até então, chegando nas semifinais da Coppa Italia 2000/2001, sendo eliminados para a futura campeã, Fiorentina. Também chegaram nas semifinais da UEFA Europa League 2001/2002, quando foram eliminados pelo Borussia Dortmund (posteriormente vice para o Feyenoord). Na temporada 2002/2003, depois de tantas idas e vindas, Abbiati perderia as titularidades para o badalado, monstruoso e também lendário goleiro brasileiro Dida, que estava em grande fase no Corinthians e havia (mesmo que sendo reserva de São Marcos) se tornado campeão do mundo com o Brasil em 2002.

Apesar de ter perdido a titularidade para o brasileiro, Abbiati ainda teria grande importância no Milan daquela temporada, pois jogou a partida da volta contra a Internazionale nas semifinais da UEFA Champions League, que terminou 1×1 e garantiu a classificação para a finalíssima ao rossonero (o Milan jogara a final contra a Juventus e se sagrou campeão ao vencer por 3×2 nos pênaltis, com Dida defendendo três penalidades) e também na Coppa Italia, em que Abbiati foi o goleiro titular do torneio e o Milan também saiu campeão, vencendo a Roma na final, a primeira partida de ida por 4×1 (fora de casa) e a volta empatando em 2×2. Abbiati teve uma bela atuação no primeiro jogo.

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Abbiati ainda seria titular na Supercoppa Italiana (torneio de partida única realizada entre o campeão da Serie A e o campeão da Coppa Italia), mas a Juventus se vingara um pouco da derrota sofrida na final da UEFA Champions League, após vencerem por 5×3 nas penalidades máximas o time rossonero. Na temporada seguinte, seguiu na reserva do Milan, e com poucos jogos, viu o time ser campeão da Serie A mais uma vez e também da Supercoppa Italiana de 2004, quando o Milan se sagrou campeão após vencer a Lazio por 3×0 com um hat-trick de Shevchenko.

Em 2005, Abbiati mostrou desejo de sair do Milan para tentar ser o goleiro titular em algum clube mesmo que de menor expressão, tal fato iria acontecer com a transferência dele ao Genoa. O time do Genoa iria voltar a primeira divisão na temporada 2005/2006, após terem sido campeões da Serie B 2004/2005, mas tal transferência não aconteceu pois o Genoa não retornou a Serie A. Por que? Pois o clube foi acusado de corrupção na Serie B, aonde o diretor Stefano Capozucca pagou cerca de €250.000 ao diretor Giuseppe Pagliara, do Venezia, para o time do mesmo perder a partida; o resultado disto foi que tanto o Venezia quanto o Genoa foram rebaixados à Serie C1 como punição e Abbiati não teve a transferência ao Genoa concluída.

No mesmo ano de 2005, o Milan emprestou Abbiati ao rivais da Juventus, afinal o lendário Buffon havia se lesionado no ombro em um jogo válido pelo Trofeo Luigi Berlusconi (curiosamente este jogo havia sido contra o Milan e a lesão foi em uma disputa com o Kaká), esta lesão no ombro iria deixar Buffon por seis meses fora das metas de Turim, e Abbiati foi emprestado para suprir a falta de goleiro debaixo das traves da Juventus; Abbiati teve um bom rendimento no gol, mas acabou que quando Buffon retornou da lesão, Abbiati voltou ao Milan, pois os serviços dele por lá já não eram mais necessários. Novamente ele seria emprestado a outro time de Turim, o Torino, por lá fora o goleiro titular durante a temporada 2006/2007, mas não obtivera tanto destaque.

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Na temporada 2007/2008, outro empréstimo de Abbiati realizado pelo Milan, desta vez uma aventura internacional da nossa muralha de hoje, que foi para a Espanha defender o Atlético de Madri. No início, Abbiati chegou para ser reserva de Leo Franco, mas ganhou a titularidade com o decorrer da temporada; o time do Atlético de Madri terminou em quarto lugar e ganhou vaga na fase prévia da UEFA Champions League 2008/2009, mas Abbiati já não mais estaria por lá.

Ao final do empréstimo ao Atlético de Madri, Abbiati voltou ao Milan. Primeiramente, Abbiati viria a recusar uma transferência para o Palermo, seguira no Milan e se tornara titular das metas do rossonero naquela temporada, aonde jogou 27 jogos naquela jornada, até sofrer uma ruptura nos ligamentos do joelho em um jogo contra o Siena, em que Dida o substituiu pelo resto da partida e temporada. A lesão tirou o goleirão por dez meses dos gramados, sendo submetido até a cirurgias e Abbiati só retornara na temporada seguinte, estreando contra a Udinese em um jogo válido pelas quartas-de-final da Coppa Italia, em que o Milan venceu pelo placar mínimo. Em um jogo válido pela 25ª rodada da Serie A 2009/2010, Abbiati salvou um pênalti de Barreto nos minutos finais, na vitória de 2×0 sobre o Bari, em um jogo marcado por uma bela apresentação de Ronaldinho Gaúcho que não se via há tempos.

Após o término da temporada, Abbiati renovou contrato com o Milan por mais três anos, e com a saída de Dida do Milan, Abbati seria o titular do rossonero indiscutivelmente. Nesta temporada 2010/2011, Abbiati foi muito importante para o título da Serie A, aonde o 18º título do Milan veio após Abbiati jogar 35 partidas do campeonato e ser fundamental para o Milan ter a defesa menos vazada do campeonato, sofrendo apenas 24 gols. Em 2011, o Milan ganhara a Supercoppa Italiana depois de vencer os campeões da Coppa Italia e rivais da Internazionale de virada por 2×1.

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Depois de grandes tempos pelo Milan, a própria Serie A veio caindo de qualidade durante este período, além do elenco do Milan e Abbiati veio a se tornar o único remanescente dos áureos tempos do rossonero. Seguiu na titularidade do Milan e até passou a usar braçadeira de capitão na temporada 2011/2012, usando pela primeira vez em uma vitória de 3×0 sobre o Palermo, a titularidade e capitaneio de Abbiati teriam um fim pouco antes de começar a temporada 2014/2015, quando o Milan contratou Diego López, que vinha do Real Madri, passando a ser o reserva, mas Abbiati ainda viria a jogar onze jogos nesta temporada.

Na temporada 2015/2016, Abbiati se tornara o terceiro goleiro do Milan, após Diego López se tornar o reserva e o titular vir a ser Gianluigi Donnarumma, garoto da base de apenas 16 anos que se tornou titular do grande rossonero. Esta foi a última temporada da carreira de Abbiati, que jogou apenas um jogo na temporada, sendo na 29ª rodada, substituindo Donnarumma, que se lesionou no jogo e era o banco na ocasião. Neste último domingo, 15/05, Abbiati estava presente no banco do Milan, aonde recebeu o carinho da torcida após o final do jogo, que simbolizou a última partida da carreira de Abbiati na derrota para a Roma em casa, por 3×1.

Abbiati foi o goleiro que mais atuou pelo rossonero com quase 400 atuações oficiais debaixo das traves. Pela seleção principal italiana, Abbiati jogou apenas quatro vezes, todas em amistosos: vitórias por 2×1 sobre a Suíça e 1×0 sobre a Romênia em 2003, uma vitória por 3×1 sobre a Holanda e um empate por 1×1 com a Costa do Marfim em 2005; chegou a ser convocado para a Copa do Mundo de 2002, mas era o terceiro goleiro, sendo reserva do titular Gianluigi Buffon e da segunda opção, Francesco Toldo, não chegando a atuar nenhuma vez.

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E esta foi a décima edição do Muralhas Lendárias aqui no blog do Goleiro de Aluguel! Espero que tenham gostado da abordagem da carreira de Abbiati, que se aposentou no último domingo. Semana que vem, o quadro volta abordando a carreira de um goleiro nacional, visto que já fazem quatro edições que é abordado a carreira de um goleiro gringo. Não deixem de acompanhar o quadro, o blog e o projeto. Até mais!

GRANDES DEFESAS DE ABBIATI:

AGRADECIMENTOS DO AC MILAN A ABBIATI:

DESPEDIDA DE ABBIATI: