Há Coisas que o Dinheiro Não Pode Comprar

Muitos sonham em ser jogador de futebol, a maioria nem pensa no dinheiro no primeiro momento, mas a partir do momento que vamos crescendo e envelhecendo, são poucos os que seguem a carreira futebolística. Muitas pessoas que apenas veem o que está nas mídias e baseiam opiniões e críticas pelo senso comum, chegam a dizer que é um absurdo a profissão de jogador de futebol, pois ganham muito para chutar uma bola (ou defender, como no caso de nós, goleiros), a verdade é que estas pessoas que afirmam isto não sabem que existe futebol amador, campeonatos municipais, estaduais e outras categorias e divisões que vão muito além da primeira divisão nacional e dos campeonatos europeus que as mídias amam vender.

De acordo com a CBF, com dados de fevereiro de 2016, mais de 80% dos jogadores do futebol brasileiro ganham menos de R$1.000 e mais de 95% não ganham mais de R$5.000. É muito fácil pegar uma pequeníssima parte daquilo que apenas se vê nas principais mídias, é muito fácil falar que é um absurdo o que jogador de futebol ganha pegando como exemplo Neymar no Barcelona ou o Fred do Atlético Mineiro, difícil é olhar para a realidade e pegar como exemplo de jogadores do América de Pernambucano, Comercial de Ribeirão Preto ou a Juventus da Mooca, ou até mesmo dos campeonatos amadores, aonde muitos jogadores se doam muito mais que profissionais por uns pães com linguiça e um litro de Skol.

No Goleiro de Aluguel, ganha-se por hora muito mais que muitos jogadores do Brasil inteiro, mas não dá para tomar a vida de goleiro de aluguel como profissão, afinal o fazemos como renda extra, não pensando unicamente no dinheiro, além de que, parte de tudo que é arrecadado, é doado para diversas instituições de caridade. Apesar disto, muitos de nós mesmos e de todos estes 95% de jogadores brasileiros que ganham menos de R$5.000 por mês, administram e fazem muito com o pouco que ganham jogando o nosso amado futebol. Não é o caso de hoje aqui no “Muralhas Lendárias” que vai abordar a carreira de Vítor Baía, que mesmo sendo multicampeão, com uma boa fortuna acumulada na carreira em dois dos principais clubes do mundo (Barcelona e Porto), não soube administrar o dinheiro e acabou indo à falência depois de aposentado, e como diz o título do artigo, há coisas que o dinheiro não pode comprar, tais como dignidade, honra, história, felicidade e títulos, tudo isto é por merecimento, algo muito além do dinheiro, são coisas que se conquistam, como Vítor Baía conquistou. Sem mais delongas, vamos falar da carreira do multicampeão Vítor Baía.

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Vítor Manuel Martins Baía, ou simplesmente Vítor Baía nasceu em 15 de outubro de 1969, na cidade portuguesa de Vila Nova de Gaia e começou a jogar futebol no Acadêmico de Leça, ainda muito jovem. Aos treze anos, Vítor foi contratado pelo FC Porto e lá iria fazer a carreira, muito mais que isto, iria fazer história. Conta-se uma história que o olheiro do Porto fora ao Acadêmico de Leça ver o atacante do time, um matador que atendia pelo nome de Domingos Paciência e o goleiro… Mas não Vítor Baía! Pois ele era reserva na altura, mas o treinador pôs ele em jogo com medo que o olheiro levasse o goleiro titular, acabou que Vítor Baía rumou ao Porto junto com o tal Domingos Paciência.

Com dezesseis anos, Vítor sofreu uma grave lesão no braço e foi aconselhado a abandonar o futebol e seguir outro rumo, visto que tal lesão poderia acarretar em problemas respiratórios, mas ele acabou não iria jogar fora a oportunidade de atuar em um dos maiores clubes de Portugal, e prosseguiu, por amor ao esporte, aquela que seria uma vitoriosa carreira. Aos dezoito anos, Vítor se tornara profissional e fora chamado pelo treinador Artur Jorge para compor a equipe principal do Porto. Com a missão de substituir o também lendário goleiro polonês Józef Młynarczyk, Vítor decide se abdicar de disputar a Copa do Mundo sub-20 de 1989 por Portugal para seguir treinando no Porto e se integrar ao elenco portista (esta Copa do Mundo sub-20 fora disputada na Arábia Saudita e a seleção portuguesa se saiu campeã).

A estreia de Vítor Baia no profissional aconteceu em 11 de setembro de 1988, em uma partida do Porto fora de casa contra o Vitória de Guimarães, em que ele estava a substituir Młynarczyk que havia sofrido uma fratura no ombro durante um treinamento. A partida de estreia de Vítor no profissional terminara empatada em 1×1, sendo que o Porto saiu ganhando, mas após a defesa parar e Vítor não sair do gol, Germano anotou o primeiro gol que Vítor sofrera na carreira profisisonal. Ao final daquela temporada, o Porto terminara em segundo lugar na Primeira Divisão, sete pontos atrás do Benfica, o campeão; ao final desta mesma temporada, o titular Młynarczyk viria a se aposentar e passar a titularidade do Porto a Vítor Baía.

Com estes resultados, o Porto iria disputar a UEFA Cup (atual UEFA Europa League) na temporada 1989/1990. A partida contra o Flacăra Moreni, da Romênia, na primeira fase, marcaria a estreia de Vítor Baía em competições internacionais. Na primeira partida, em casa e a estreia dele, vitória portista por 2×0 e uma vitória por 2×1 na volta classificaria os dragões para próxima fase. Na segunda fase, após vencer por 3×1 em casa a ida e perder por 3×2 a volta, o Porto eliminaria o Valência e passaria para a terceira fase, quando foram eliminados pelo Hamburgo, da Alemanha, após perder a ida fora de casa por 1×0 e vencer por 2×1 a volta, sendo eliminados na ridícula regra dos gols fora de casa.

Entretanto, o Porto viria a ser campeão da Primeira Divisão de 1989/1990, somando 59 pontos (quatro a mais que o Benfica, vice), com 27 vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas nas 34 partidas disputadas. Vítor Baía contribuiria para que o Porto tivesse a defesa menos vazada da competição, sofrendo apenas 16 gols. Na Taça de Portugal, o Porto fora eliminado logo na primeira fase após perder por 2×0 para o Tirsense. Ao final desta mesma temporada, Vítor Baía conquistara mais um título com o Porto, a Supertaça Cândido de Oliveira sobre o Estrela Amadora, após perder a ida fora de casa por 2×1 e vencer em casa por 3×0 (a Supertaça Cândido de Oliveira é um torneio disputado entre o vencedor da Primeira Divisão e da Taça de Portugal em jogos de ida e volta, e que passou a ser disputada em jogo único a partir de 2001).

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Na European Cup (atual UEFA Champions League) de 1990/1991, o Porto iria passar pelo Portadown da Irlanda do Norte na primeira fase, após aplicar duas goleadas, vencendo a ida em casa por 5×0 e a volta fora por 8×1. Na oitavas-de-final, eliminariam o Dínamo Bucareste, da Romênia, após empatar a ida sem gols fora de casa e vencer por 4×0 em casa. Seriam eliminados pelo Bayern de Munique nas quartas-de-final, após empatarem a ida fora de casa em 1×1 e perder por 2×0 em casa. Na Liga Portuguesa, o Porto iria terminar dois pontos atrás do Benfica e não se sairia campeão.

Entretanto, esta temporada não iria passar vazia para Vítor Baía, pois ele seria campeão da Taça de Portugal após o Porto vencer o Beira-Mar na final, após empate em um gol e vitória por 3×1 na prorrogação e também da Supertaça Cândido de Oliveira sobre o Benfica: após perder a ida fora de casa por 2×1 e vencer em casa por 1×0, houve terceiro jogo, que terminara empatado em um gol e a decisão fora nos pênaltis. Neste jogo, Vítor Baía foi do inferno ao céu, pois no tempo normal falhou e tomou o gol; na decisão por pênaltis o Porto errou as duas primeiras enquanto o Benfica marcou, um gol pra cada lado na terceira série de pênaltis. Nas próximas séries, o Porto iria marcar, enquanto o Benfica iria perder as duas com Isaías isolando e Hélder parando em Vítor. Na sexta série de pênaltis (já na tal da morte súbita) o título viria, pois Vítor iria defender o pênalti de Mostovoi e Paulinho César convertera a última penalidade para dar o título aos dragões!

E nesta mesma temporada, em dezembro de 1990, Vítor Baía estreou-se na seleção portuguesa principal, em um amistoso contra os Estados Unidos, em que Portugal venceu por 1×0.

Na temporada 1991/1992, o Porto seria novamente campeão nacional e agora com muita folga, somando dez pontos a frente do Benfica, vencendo 24 partidas, empatando oito e perdendo duas. Nestas dezoito partidas, Vítor Baía foi vencido apenas onze vezes e fora eleito o melhor jogador da temporada portuguesa. Nesta temporada, Vítor Baía virou protagonista de um recorde na Liga Portuguesa que pendura até hoje, o de maior invencibilidade, quando ele conseguiu somar incríveis 1192 minutos sem sofrer gols, até ser batido por Paulo Bento cobrando pênalti, sendo esta a décima maior marca da história.

Com o título nacional, o Porto iria disputar a UEFA Champions League do ano seguinte: passariam pela fase preliminar eliminando o Union Luxembourg, de Luxemburgo, após vencer a ida fora de casa por 4×1 e a volta em casa por 5×0. Na segunda fase eliminaram o Sion, da Suíça, após empatarem a ida em 2×2 e vencer a volta por 3×0. Com isto, o Porto ficou entre as oito equipes restantes e fora para a fase de grupos, fase em que foram eliminados após o Milan terminar em primeiro na chave e se classificar a final contra o Olympique de Marselha de Barthez, que seria o campeão do torneio.

O Porto seria campeão nacional mais uma vez na temporada 1992/1993, de maneira suada, apenas dois pontos à frente do Benfica e também seria campeão da Supertaça sobre o mesmo Benfica, após perder a ida fora de casa por 1×0, vencer em casa pelo mesmo placar e empatar a terceira partida em um emocionante 2×2, o Porto de Baía seria campeão nos pênaltis, vencendo por 4×3 o Benfica do também lendário Michel Preud’homme, sendo que o Benfica errou duas penalidades, uma delas defendida por Vítor Baía.

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Na temporada 1993/1994, o Benfica iria retribuir na mesma moeda o título sobre o Porto de uma temporada antes, pois o Porto fora vice-campeão por estar dois pontos atrás do Benfica, mas Vítor Baía, mais uma vez, ajudara o Porto a ter a defesa menos vazada da competição, sofrendo apenas quinze gols. Em compensação, o Porto foi campeão da Taça de Portugal, vencendo o Sporting na final, após empate em 0x0, teve um segundo jogo para decidir o campeão e o Porto vencera por 2×1, com o segundo gol saindo na prorrogação.

Ainda na temporada 1993/1994, o Porto fora longe na UEFA Champions League. Ao vencer por 2×0 a ida e empatar sem gols a volta contra o Floriana de Malta, o Porto passou a segunda fase, em que eliminariam o Feyenoord, da Holanda, após vencer a ida em casa pelo placar mínimo e empatar sem gols a volta. Se classificando para a fase de grupos: terminaram em segundo lugar em uma chave com Milan, Werder Bremen e Anderlecht, se classificando para a semifinal, fase em que foram eliminados após perderem por 3×0 (jogo único) para o Barcelona de Zubizarreta.

Com o título da Taça de Portugal uma temporada antes, o Porto iria disputar a Cup Winners’ Cup de 1994/1995 (enquanto a European Cup – atual UEFA Champions League – se limitava aos clubes campeões nacionais, a extinta Cup Winners’ Cup se limitava aos campeões das copas, como o campeão da Taça de Portugal, Coppa Italia, Copa Del Rey, entre outros) e por lá não iriam longe, sendo eliminados nas quartas-de-final para o Sampdoria, após vencer a ida fora de casa por 1×0 e perder em casa pelo mesmo placar, foram eliminados nos pênaltis, perdendo por 5×3: os italianos converteram todas as penalidades, enquanto o Porto desperdiçara fatalmente uma, parando no também lendário Walter Zenga.

Mas as “obrigações nacionais” ficariam em dia, após voltarem a conquistar o Campeonato Português, somando 62 pontos em 29 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota (por 2×1 ao Marítimo), tendo melhor ataque e a melhor defesa, com Vítor Baía sendo vencido apenas quinze vezes. Entretanto, não conquistaram a Supertaça, pois após empatarem sem gols a ida e em dois gols na volta, o Sporting vencera por 3×0 o terceiro jogo para se sagrar campeão.

O Porto seria mais uma vez campeão nacional na temporada 1995/1996, após vencer 26 partidas, empatar seis e perder somente duas, aonde mais uma vez Vítor Baía foi o menos vazado, sofrendo vinte gols neste campeonato. O Porto, nesta caminhada, somou 84 pontos, a primeira vez no regulamento em que vitória passou a contar três pontos, e não dois como era anteriormente. O Porto seria campeão também da Supertaça Cândido de Oliveira sobre os rivais benfiquistas, após vencer por 1×0 a ida em casa e por incríveis 5×0 a volta, mas Vítor já não estaria mais no Porto.

Vítor Baía com a seleção portuguesa na Eurocopa de 1996

Vítor Baía com a seleção portuguesa na Eurocopa de 1996

No meio de 1996, Vítor Baía disputou o primeiro torneio internacional com a seleção portuguesa, a Euro de 1996. Portugal caiu no Grupo D, junto com Dinamarca, Croácia e Turquia: empataram com os dinamarqueses em 1×1 na estreia, venceram os turcos por 1×0 na segunda partida e por 3×0 os croatas na última partida da chave, terminando em primeiro lugar no grupo e se classificando às quartas-de-final, fase em que foram eliminados para a República Tcheca, após perderem por 1×0 para os tchecos.

Passada a Euro, o treinador do Porto, Bobby Robson, rumava à Espanha para treinar o Barcelona e levaria com ele Vítor Baía que, para Robson, era o melhor do mundo na altura. O Barcelona pagou ao Porto €6.500.000 para o ter no elenco e ofereceu cerca de €2.000.000 para Vítor por temporada, transformando-o no goleiro mais caro da história até então. O primeiro título viria logo, a Supercopa da España sobre o Atlético de Madri, após vencer a ida por 5×2 e perder a volta por 3×1 (neste segundo jogo, o titular foi Lopetegui).

Na primeira temporada pelo Barcelona, Vítor seria campeão da Copa Del Rey, após eliminarem o Real Madri nas oitavas-de-final, vencendo a ida em casa por 3×2 e empatando em 1×1 a volta; depois eliminaram o Atlético de Madri nas quartas-de-final, ao empatar a ida em 2×2 e vencer por 5×4 a volta. A classificação para a final viria fácil sobre o Las Palmas, após vencerem por 4×0 a ida fora de casa e por 3×0 a volta no Camp Nou. A final fora no Santiago Bernabéu, em que o Barcelona se sagrou campeão após vencer por 3×2, com o gol da vitória saindo dos pés de Figo aos nove minutos do segundo tempo da prorrogação. Mas o bi da Supercopa da España não viria, pois o Barcelona até ganhou a primeira partida por 2×1 do Real Madri, mas perdeu a volta por 4×1. Na Cup Winners’ Cup desta temporada, mais um título, após o Barcelona passar por todas as fases e derrotar o pequeno Paris Saint-Germain (que até hoje é pequeno, mas agora tem dinheiro) na final, vencendo por 1×0 com um gol de pênalti de Ronaldo.

Na temporada de 1997/1998, um marco: Louis Van Gaal assume o Barcelona e traz Ruud Hesp, goleiro da confiança dele; isto aliado a uma lesão de Vítor Baía no joelho esquerdo fazem ele perder o posto de titular do Barcelona, virando reserva do holandês Hesp. Quando volta, iria jogar uma partida contra o Dínamo de Kiev pela UEFA Champions League e ali foi o marco para a perda da titularidade, pois o Barcelona perdeu de 4×0 em uma péssima exibição de Vítor, que não estava totalmente recuperado. A partir dali, Vítor Baía pouco atuara, ainda mais que ele tinha uma relação muito ruim com o treinador Van Gaal (o que não é raro, são tantos jogadores que não têm boa relação com o Van Gaal que dá até pra escrever um livro. Neste Barcelona, não faltam exemplos como Vítor Baía, Rivaldo e Stoichkov).

Mesmo pelo banco de reserva, Vítor Baía arremataria mais dois títulos para a carreira na temporada 1997/1998, a La Liga e a Copa Del Rey. Não aguentando a pressão, Vítor Baía chegou até a falar em discriminação contra ele vinda do treinador holandês, que o deixou inclusive de relacionar ele para os jogos. Com isto, em janeiro de 1999, Vítor Baía iria retornar ao Porto, usando um novo número, 99, o número do ano de retorno, mas primeiramente foi por via de empréstimo, só se tornara definitivo quando ele quebrou contrato com o Barcelona em agosto de 2000 e assinando com o Porto, após supostos interesses de Sporting, Newcastle e clubes italianos. Graças a lesão e a Van Gaal, Vítor Baía cumpriu apenas dois anos e meio de contrato com o Barcelona, que, a princípio, seria de oito temporadas.

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Vítor Baía no Barcelona

Logo nesta chegada, Vítor Baía iria se tornar mais uma vez campeão nacional português da temporada 1998/1999, quando o Porto somou 79 pontos, oito a mais que os conterrâneos de distrito e vice-campeões, o Boavista. Na temporada 1999/2000, mais um título da Taça de Portugal, conquistada em cima do Sporting, após empatar em 1×1 e vencer por 2×0 o jogo desempate (o mais curioso, é que todos os três gols do Porto nesta final foram marcados por brasileiros: Mário Jardel, Clayton e Deco).

Na temporada seguinte, o Porto terminou em segundo lugar, um ponto atrás do Boavista de Ricardo; era segunda vez que uma equipe que não fosse Benfica, Sporting e/ou Porto era campeã da Liga Portuguesa em 67 anos, sendo que a outra vez que isto havia acontecido tinha sido com o Belenenses 55 anos antes! Mas nesta temporada, o Porto se sagraria campeão da Taça de Portugal, após eliminar os rivais do Benfica vencendo por 4×0 nas oitavas-de-final, vencer o Bragança por 2×1 nas quartas-de-final, eliminar o Sporting nas semifinais ao vencer por 2×1 e vencer por 2×0 o Marítimo na final. Em 2000 ainda, também se sagraram campeões da Supertaça Cândido de Oliveira, ao vencer por 1×0 o Boavista, a primeira edição em que a Supertaça se deu em apenas um jogo.

A temporada 2001/2002 seria uma das poucas que não reservaria títulos a Vítor Baía, que no meio daquele ano iria jogar a primeira (e única) Copa do Mundo da carreira com a seleção portuguesa: a seleção de Portugal caiu no Grupo D, junto com Coréia do Sul, Estados Unidos e Polônia. Iriam surpreendentemente perder na estreia para os Estados Unidos por 3×2, vencer por 4×0 a Polônia de Dudek na segunda partida e perder por 1×0 para a Coréia do Sul no último jogo, em um grande assalto cometido pelo árbitro a favor dos sul-coreanos, os mesmos só foram longe nesta Copa do Mundo graças a diversas ajudas da arbitragem. Com estes resultados, Portugal fora eliminada logo na primeira fase.

Dos goleiros portugueses convocados (Vítor Baía, Ricardo e Nélson), pensava-se que Ricardo seria o titular, pois ele estava a ser o titular nas eliminatórias, inclusive nos cinco jogos anteriores ao mundial, mas o técnico António Oliveira optou por colocar Vítor Baía na titularidade. Depois daquela Copa do Mundo, Felipão iria assumir a seleção portuguesa e Vítor Baía nunca mais foi chamado, passando a titularidade da seleção de Portugal para as mãos de Ricardo.

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Vítor Baía na Copa do Mundo de 2002, em partida contra os Estados Unidos

Na temporada 2002/2003, mais quatro títulos na conta de Vítor Baía, o de campeão nacional, em que o Porto somou 86 pontos (onze a mais que o vice, Benfica), vencendo 27 partidas, empatando cinco e perdendo somente duas, sendo que Vítor Baía ajudou o Porto a mais uma vez ter a defesa menos vazada da competição. Também seriam campeões da Taça de Portugal: eliminaram o Vitória de Guimarães por 2×1 na primeira fase, nas quartas-de-final, eliminaram o Varzim vencendo-os por 7×0, venceram o Naval nas semifinais por 2×0 e foram campeões ao vencer por 1×0 o União de Leiria de Hélton. Na Supertaça, também contra o União de Leiria, mais um título que veio por outra vitória de 1×0 (como já dito, a Supertaça é disputada entre o campeão da Liga contra o campeão da Taça, neste caso, o melhor colocado na Taça depois do Porto disputou o torneio).

Ainda nesta mesma temporada, um título internacional na conta do Porto e de Vítor Baía, o da UEFA Europa League. Na primeira fase eliminaram o Polonia Warszawa, ao vencer a ida por 6×0 e perder a volta por 2×0. Na segunda fase, vitória sobre o Austria Wien, após vencer a ida na Áustria por 1×0 e em casa por 2×0. Na terceira fase, após vencer por 3×0 a ida em casa e perder pelo placar mínimo na França, o Porto eliminou o Lens e passou para as oitavas-de-final contra o Denizlispor, da Turquia, classificação fácil após vencer por 6×1 a ida em casa e empatar em 2×2 a volta. Nas quartas-de-final, vitória suada sobre o Panathinaikos, após perder a ida em casa por 1×0, o Porto retribuiu o placar na Grécia e virou para 2×0 a volta na prorrogação. As semifinais foram contra os italianos da Lazio em que, após vencerem a ida por 4×1, um empate em 0x0 na volta iria garantir o Porto na final contra o Celtic, da Escócia, e o título veio após vencerem a final por 3×2 (empate em 2×2 no tempo normal e o gol da vitória saiu dos pés de Derlei aos dez minutos do segundo tempo da prorrogação). Entretanto, o Porto não se sagrou campeão da Supercopa da UEFA, título que ficaria com o Milan após vitória do time italiano por 1×0.

A temporada 2003/2004 seria marcante para Vítor Baía. Na UEFA Champions League desta temporada, o Porto iria cair no Grupo D, junto com Real Madri, Olympique e Partizan e iria se classificar de fase em segundo lugar na chave, após vencer três, empatar duas e perder uma (em casa, por 3×1 para o Real Madri, a única derrota do Porto nesta competição). Nas oitavas-de-final, o Porto eliminou o Manchester United, após vencer a ida em casa por 2×1 e empatar em um gol a volta. Nas quartas-de-final, após vencer por 2×0 a ida em casa e empatar em dois gols a volta, o Porto eliminou o Lyon e passou de fase. As semifinais reuniram quatro equipes: Chelsea, Monaco, Deportivo La Coruña e Porto, sendo que apenas o Porto tinha sido campeão até então da UEFA Champions League destas quatro equipes, e iria atrás do segundo título após eliminar o La Coruña na semifinal, vencendo a ida fora de casa por 1×0 e empatando sem gols em casa na volta. A final seria contra o Monaco, na Veltins-Arena, estádio do Schalke 04 e o Porto se sagrou campeão europeu após vencer o Monaco por 3×0 (o primeiro gol saiu dos pés de Carlos Alberto, aquele mesmo que jogou no Grêmio, Vasco da Gama, Fluminense, Figueirense e outros times brasileiros). Porém, mais uma vez, o Porto não se sagrou campeão da Supercopa da UEFA, afinal perderam a partida para o Valência por 2×1. Apesar disto, Vítor Baía fora eleito o melhor goleiro da Europa na temporada 2003/2004.

Na mesma temporada, o Porto iria se sagrar campeão da Liga Portuguesa mais uma vez, após vencer 25 partidas, empatar sete e perder somente duas, aonde Vítor Baía mais uma vez contribuiu para que o Porto tivesse a defesa menos vazada, sofrendo dezenove gols em 34 jogos. A Taça de Portugal bateu na trave, pois foram vice para o Benfica, que venceu por 2×1 com o segundo gol saindo na prorrogação. Na Supertaça, mais um título ao Porto, após vitória por 1×0 sobre o mesmo Benfica com gol de Quaresma. Ao final do ano de 2004, o Porto se sagraria campeão mundial após vencer o Once Caldas, mas Vítor Baía se lesionou ao final do primeiro tempo da prorrogação, sendo substituído por Nuno: o Porto se sagrou campeão mundial após vencer por 8×7 o Once Caldas nos pênaltis.

Na temporada 2005/2006, o Porto contratou Helton, que iria se preparar para substituir Vítor Baía no gol do Porto. Vítor Baía ainda se tornara campeão nacional em 2005/2006 e em 2006/2007, além de ter ganho mais uma Taça de Portugal em 2005/2006 e mais uma Supertaça Cândido de Oliveira, em 2006. Ao todo Vítor Baía tem 35 títulos conquistados na carreira, é o segundo maior jogador vencedor de sempre, perdendo apenas para o Ryan Giggs, que tem 36.

Apesar de ter feito muita fortuna jogando nos principais times do mundo e ganhando vários títulos, Vítor Baía conseguiu jogar o dinheiro no ralo e ir à falência, muito se diz que ao final da carreira ele fora iludido por um administrador de riquezas, investindo o dinheiro em negócios que não deram êxito, criando várias dívidas e o gestor levou grande parte da fortuna dele. Muito teve de ser vendido e perdido nesta “brincadeira” de Vítor Baía com o dinheiro.

Mas como já dito, dinheiro não compra história, nem respeito, apesar de qualquer coisa, Vítor Baía tem o respeito dos fãs do futebol, especialmente do Futebol Clube do Porto e sempre será lembrado e eternizado como um grande ídolo da torcida portista. E este foi mais uma edição do “Muralhas Lendárias” aqui no Goleiro de Aluguel! Espero que vocês tenham gostado e semana que vem o quadro volta abordando a carreira de mais um lendário goleiro. Até semana que vem!

GRANDES DEFESAS DE VÍTOR BAÍA

PORTO 1(4) X (3)1 BENFICA: TERCEIRO JOGO DA FINAL DA SUPERTAÇA CÂNDIDO DE OLIVEIRA DE 1991

PORTO 3 X 0 MONACO: FINAL DA UEFA CHAMPIONS LEAGUE 2003/2004