Estamos de volta em mais um “Na Baliza”, hoje trazemos uma pessoa especial para o Goleiro de Aluguel, o Victor, que defende a Tombense e está disputando a primeira divisão do Campeonato Mineiro e a Série C do Brasileirão. Victor fez a pré-temporada dele no nosso aplicativo, foi um dos usuários da nossa plataforma do Goleiro de Aluguel.

NB: Qual o seu nome, data de nascimento e aonde nasceu?

VS: Meu nome é Victor Bernardes Andrade e Souza (nome futebolístico: Victor Souza), nasci em 31/08/1992, São Paulo capital.

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NB: Clube em que foi revelado, e aonde mais jogou;

VS: Fui Revelado pelo Cruzeiro, joguei no infantil do São Caetano em 2006 e 2007, depois rumei ao Artsul e em junho de 2008 fui vendido ao Cruzeiro aonde atuei até 2013, então fui emprestado de junho até dezembro de 2013 ao Tupi, time da cidade mineira de Juiz de Fora. De janeiro a abril de 2014, joguei no Anápolis, de Goiânia. Joguei o mês de maio de 2014 na Caldense e em junho transferi-me para a Tombense, time que defendo até hoje. Na Tombense, ainda passei um tempo de empréstimo de janeiro a maio de 2016 no Democrata, time de Governador Valadares (Minas Gerais).

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NB: O que te levou a escolher a posição de goleiro?

VS: Queria ser atacante, quem não gosta de fazer gol, né?! Mas meu amigo Fernando Gomes me convidou a jogar no S.A.C.I. Imirim, time de tradição no futsal de São Paulo, que revelou muitos bons jogadores, dentre eles o Marquinhos, que hoje atua no Paris Saint-Germain. E eu, chegando lá com 9 anos, em 2001, o meu primeiro treinador, José Carlos Barboza, perguntou do que jogava, como nunca tinha jogado na vida, falei “na frente” aí fui, tudo menino pequeno, rápido, habilidoso e eu, grande, pesado e sem nem saber o que tinha que fazer além de chutar no gol, era motivo de brincadeiras, de zoeira dos outros meninos, além do apelido de “gato” por ser muito desenvolvido no tamanho pela idade.

Depois de uns três treinos ele chegou e falou “por que não vira goleiro?” eu na hora estranhei, disse nunca na minha vida, bati o pé e não queria de jeito nenhum, mas ele insistindo muitas vezes e eu percebi que seria difícil acostumar a fazer tudo que um jogador de linha fazia no futsal, que é ser dinâmico, atacar e marcar do mesmo jeito, acabei cedendo e fiz um treino no gol. Como era grandão e os meninos não chutavam tão forte, eu pulava e pegava praticamente tudo, acabei me empolgando no início e fiz mais uns dois treinos muito bem por sinal. Porém, no terceiro treino cheguei nele e falei quero ser pivô, não quero ficar tomando bolada e ficar pulando na bola, o técnico, no momento, tentou mudar minha cabeça, mas eu irreversível bati o pé e treinei na linha. Parecia um peixe fora d’água, todo perdido e na hora que errava algo lembrava de uma defesa dos dias anteriores. Acabando o treino ele chegou e falou “tá vendo? Você é muito grande, tem altura ideal pra ser goleiro, na linha seria um reserva e como goleiro iria ser titular, pois você tem altura, dom, com treinamento iria melhorar ainda mais e poderá ser o melhor do campeonato, além que você gosta de fazer gol, chuta forte e tem pontaria, que tal ser goleiro linha? Jogadas de laterais, escanteios e saída de jogo você ter uma jogada só pra você poder chutar e tentar o gol?” na hora aceitei, me dediquei ao máximo e todos os anos era destaque como goleiro e um dos artilheiros do campeonato estadual e metropolitano daquela época graças ao Zé Carlos, que insistiu e mostrou o melhor caminho pra mim. Logo em seguida, começou em dias separados de treinamentos normais, os específicos de goleiro com Luiz Antonio (Luizão) que foi meu primeiro treinador de goleiro e ele era treinador de outra categoria superior, além de ser goleiro do time principal do S.A.C.I. e passava um pouco da experiência dele como goleiro. Cada segunda-feira eu evoluía muito mais com os fundamentos, treino com medicine ball, treino de chutes e trabalho com os pés, me empolgava ainda mais quando era treinamento normal e via resultado no dia a dia, pois ele era goleiro linha e me ensinava a jogar com os pés também, ao passar dos anos ele foi meu treinador e diariamente me ajudava com tudo.

Um pouco mais velho chegou o Denilson Andrade (Deni), que, ainda mais experiente, pode ajudar mais dentro da quadra e fora, ele me concedeu a faixa de capitão, a primeira nunca esquecemos, né?! (risos) Isto me ensinou a ser líder dentro de um time, a orientar, a dar opiniões, a ser exemplo, a ajudar algum companheiro no dia a dia e ao diálogo com juízes, isto foi confirmando a minha melhor escolha da vida de ser goleiro e puder lutar pelos meus sonhos.

Já vi muitos jogadores começando no futsal e ingressando no campo, porém muitos não se adaptaram, eu no ano de 2004 com, onze para doze anos, meu amigo e vizinho Walter (Neto) me convidou para jogar no Grone’s (Copa 70) do lado de casa no futebol de campo, eram nos dias que ficava à toa em casa e não treinava no futsal, aceitei na hora, mas no primeiro treinamento vi o tamanho do gol. Já desisti de ser goleiro, pois tomava gol em todo chute praticamente, não tinha posicionamento, técnica e jeito nenhum para o campo, e no segundo dia que fui treinar, cheguei no Alex (Bigode), treinador, e falei vou ser atacante, não quero ser goleiro no campo. Como eu jogava com os pés no futsal pensei que seria mais tranquilo se adaptar, pelo contrário foi muito pior, pois tudo era mais difícil, tudo era maior, tudo era mais longe. No mesmo dia o Alex chegou em mim e falou “grandão, depois do treino de hoje tem certeza da sua escolha? Acho melhor voltar para o gol, porque não tem jeito nenhum pra ser atacante, meia, volante e zagueiro…” pois cada parte do treinamento fui voltando de posição, mais uma era gandula (risos). “Ele falou você treinou um dia, fez algumas defesas, se treinar um mês e não tiver pegado o jeito ou acostumado você pode ser atacante…” Porém a partir do terceiro treino no gol, já me adequei e fui melhorando, pegando noção de espaço e apaixonei muito mais por futebol e por ser goleiro, fazia com amor todos os dias, principalmente nos finais de semana que eram dias de campeonatos, único problema era a roupa cheia de lama quando chegava em casa e a dona Maria do Carmo (Minha Mãe) só faltava me matar (risos). Enfim, eu não escolhi minha profissão e muito menos a posição, e sim elas que me escolheram!

Victor Souza em 2001. Juvenil e no futsal (ele é o segundo em pé da direita para a esquerda)

Victor Souza em 2001. Juvenil e no futsal (ele é o segundo em pé da direita para a esquerda)

NB: Você se inspira em algum outro profissional da posição?

VS: Eu no começo de tudo quando decidi ser goleiro inspirava no Marcos, ex-goleiro do Palmeiras e seleção, parava de fazer tudo pra vê-lo jogando, ou quando passava alguma reportagem dele, pra mim foi o melhor de todos os tempos.  Hoje em dia, minha inspiração estão no Fábio e Rafael, ambos do Cruzeiro, treinei muito com eles e o convívio me fez muito bem, acabei evoluindo muito, aprendendo um pouco de um, pouco do outro, e, sinceramente, os dois são praticamente perfeitos no que o goleiro precisa, são completos em tudo, vejo que se chegar no nível deles conseguirei realizar meus objetivos profissionais e pessoais.

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NB: Conte-nos algum fato curioso da sua carreira;

VS: Acho que passei um fato mais curioso dos últimos 10, 20, 30 anos, sei lá, do futebol, a invasão do Esquerdinha (massagista) no campo e fazendo duas defesas quando minha equipe, Tupi, faria o gol em cima do Aparecidense e classificaria para o jogo do acesso no Campeonato Brasileiro da Série D de 2013. No final deu a maior confusão indo até para o STJD, mas a justiça foi feita e nós nos classificamos para a próxima fase.

ESQUERDINHA, MASSAGISTA DO APARECIDENSE, DEFENDE O GOL QUE CLASSIFICARIA O TUPI:

NB: Qual a melhor lembrança que você tem da sua carreira?

VS: Vejo que antes de conquistar muitos títulos na base pelo Cruzeiro, acesso no Brasileiro Série D pelo Tupi em 2013, título e acesso do Brasileiro Série D 2014 pelo Tombense, título e acesso do Mineiro 2016 pelo Democrata.

Nada disso seria possível se Deus não colocasse uma pessoa tão especial em minha vida, isto aconteceu em 2006, no feriado de 7 de setembro, quando meu amigo Richard que tinha um time chamado Casa de Pedra e me fez um convite pra jogar um festival na Savic contra a escolinha do São Caetano, lá tinha algo reservado pra mim, perdemos de 5×0, mas fui o melhor em campo e o treinador Amorim me convidou para fazer parte da escolinha e disputar um campeonato… Na hora aceitei e fiquei bem feliz, pois era filial de um time grande na época, ele me adotou como filho e marcava horário diferenciado pra eu treinar específico à parte entre chutes e cruzamentos, pois teria um teste em dezembro no próprio São Caetano. Ele sempre me falava pra dedicar, pois teria oportunidade, e seriam três meses de sacrifício e luta, abri mão dos outros clubes e conciliava os treinos com estudos somente… O melhor de tudo era ver que ele acreditava em mim e no meu potencial, e graças a Deus, consegui passar no teste e desde então segui minha carreira até o momento. Entre tudo que já passei, o que nunca sai da minha cabeça e conto a todos que me perguntam sobre minha vida profissional, eu sempre lembro do Amorim, que foi um paizão para mim e no qual tenho contato com ele até hoje, fez de tudo pra me ajudar. Espero um dia poder retribuir isto tudo que fez por mim a altura.

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NB: Quantos  títulos já conquistados?

VS: no Cruzeiro conquistei o Campeonato Mineiro em 2008, 2009, 2010 e 2011, a Integração em 2009 e 2010, a Dallas Cup e o Brasileirão Sub-20, ambos em 2010. Também conquistei a Copa Amsterdã e a Copa Eindhoven em 2011 (Holanda). Com a Tombense, conquistei Campeonato Brasileiro da Série D em 2014 e pelo Democrata, o Módulo II do Campeonato Mineiro 2016.

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NB: Qual seria seu grande objetivo daqui pra frente como profissional;

VS: Chegar a Seleção Brasileira e jogar uma Série A seja do Brasil ou de algum país renomado no futebol.

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NB: Você conhecia o Goleiro de Aluguel? Se sim como foi, qual a sua impressão deste projeto.

VS: Conhecia desde o começo do projeto, via em propagandas no Facebook e alguns sites quando entrava. E nas últimas férias, após o término da Série C de 2016, fiquei aproximadamente 70 dias em casa, alguns dias em São Paulo, outros em Belo Horizonte e até em Ribeirão Preto, usei o aplicativo com frequência para me manter em forma e poder ajudar um projeto na África onde me impressionei com a iniciativa que vem dando certo, e hoje fiz um grupo de todos goleiros que conheço e todos baixaram o aplicativo nas férias, utilizaram ou até os que estão desempregados se manterem em forma. Estão de parabéns pelo aplicativo, ajuda muito nós, goleiros profissionais, goleiros amadores, além de deixar qualquer pelada mais competitiva e qualificada.

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Victor, mais uma vez toda equipe Na Baliza e Goleiro de Aluguel é grata por ter nossos caminhos cruzados com pessoas como você, lutadores que buscam o sonho independente de qualquer fato ou barreira! Desejamos a você sucesso e que todos esses objetivos aqui listados sejam alcançados! Nos vemos em Campo!