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Harald Schumacher, de Vilão a Herói

Olá, pessoal, meu nome é Juan Fernando e hoje estreio aqui no blog do Goleiro de Aluguel com uma coluna que vai tratar de goleiros que se destacaram em partidas e torneios específicos. O jogo de hoje ficou marcado pela entrada extremamente violenta do goleiro Harald Schumacher que quase matou Patrick Battiston, e nem sequer cartão amarelo o goleiro tomou. Se fosse expulso, certamente a história deste jogo seria bem diferente. Foi um jogo histórico, pois foi a partida aonde se teve a primeira decisão por pênaltis da história das Copas do Mundo.

A CLASSE FRANCESA CONTRA O ESPÍRITO DE EQUIPE ALEMÃ

Este duelo de estilos entre duas escolas de futebol diametralmente opostas não era novo: por vinte anos ou mais, as equipes francesas cheias de classe colocaram seu talento à prova contra o desejo de vitória, determinação e espírito de luta das equipes alemãs. Com o capitão Michel Platini orientando o meio de campo, ficou claro desde o início que os franceses iriam impor a supremacia técnica sobre um sólido conjunto alemão. Liderados pelo capitão Manfred Kaltz, a mannschaft (como é conhecido o time alemão) posicionou-se na defensiva logo no início, permitindo que a França chegasse com perigo até a meta defendida por Harald Schumacher.

LITTBARSKI ABRE O PLACAR

Pierre Littbarski deu o primeiro susto da França quando acertou o travessão na cobrança de falta. Mas o meia habilidoso não teve que esperar muito antes de abrir o placar, acertando um belo chute, fora do alcance do goleiro francês Jean-Luc Ettori, a 23 metros de distância. Ettori havia espalmado um chute de Klaus Fischer, mas quando a bola caiu nos pés de Littbarski, ele não perdoou.

Os franceses responderam literalmente sitiando o gol de Schumacher. Michel Platini, Dominique Rocheteau e Alain Giresse tinham nas mãos a defesa alemã, comandada por Uli Stielike, e não foi nenhuma surpresa quando Rocheteau foi derrubado na área e Platini não deu nenhuma chance ao goleiro da Alemanha ao cobrar o pênalti (1×1).

SCHUMACHER!

À medida que as equipes desciam para o vestiário no intervalo, com o placar marcando 1×1, os 70 mil torcedores em Sevilha tiveram pelo menos um tempo para respirar e se preparar para o drama que estava prestes a começar. O incidente mais polêmico do jogo, e até hoje ainda comentado, aconteceu quase na metade do segundo tempo, quando um lançamento de Platini chegou até o jogador Patrick Battiston, que havia entrado no jogo, e corria em direção ao gol.

Quando Battiston desviou a bola, Schumacher saiu da área e chocou-se com o jogador francês. Enquanto a equipe médica francesa atendia o jogador, que estava inconsciente, Schumacher voltou para sua meta e começou uma série de exercícios de alongamento deixando a torcida francesa com muita raiva. Quando o árbitro Charles Corver decidiu não punir o goleiro alemão, nem mesmo marcar uma falta, os torcedores franceses ficaram inconformados e, pelo resto da partida, toda vez que Schumacher tocava na bola, a torcida o vaiava.

Lance da polêmica entrada de Schumacher sobre o francês Battiston

Lance da polêmica entrada de Schumacher sobre o francês Battiston

À medida que o jogo se encaminhava à prorrogação, a França resolveu decidir a partida e a equipe de Jupp Derwall viu-se forçada a empregar uma tática defensiva muito forte para repelir as ondas de ataques que ameaçavam destruir sua defesa. Aos 83 minutos, Manuel Amoros acertou a trave quando teve uma visão clara do gol, mas foi a Alemanha que conseguiu as melhores oportunidades nos minutos finais. Primeiro, com Breitner e, em seguida, com Förster, exigindo defesas difíceis de Ettori.

PRORROGAÇÃO, INESQUECÍVEL

Apesar dos esforços de ambos os times, o placar permaneceu em 1×1 e a partida foi para prorrogação. Mas com apenas dois minutos após o reinício, Marius Trésor cobrou uma falta com efeito da lateral direita da grande área, a 10 metros de distância, fazendo Schumacher agarrar apenas o vento (2×1 para a França). O treinador da Alemanha, Jupp Derwall, não perdeu tempo. Hans-Peter Briegel, que estava esgotado, foi substituído pelo goleador Karl-Heinz Rummenigge.

A França não tinha a intenção de recuar devido à vitória. Após sete minutos do chute de Trésor, Alain Giresse fez 3×1, acertando um chute da entrada da grande área.

O time alemão estava cambaleante e um gol de Klaus Fischer foi anulado logo no reinício da partida, por estar impedido. A maioria das equipes teria desistido nesse momento. Mas os alemães não desistiriam. E quando Rummenigge elevou o marcador para 3×2 um pouco antes do final do primeiro tempo da prorrogação, o time estava no jogo novamente.

A responsabilidade de empatar novamente caiu sobre Klaus Fischer, e que gol maravilhoso foi aquele! A bicicleta aos 108 minutos de jogo saiu do nada e, de repente, de forma incrível, a Alemanha, que estava dois gols atrás no marcador, forçava uma decisão por pênaltis.

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Jogadores alemães comemoram o gol de empate contra os franceses. Agora o placar mostrava 3x3.

Jogadores alemães comemoram o gol de empate contra os franceses. Agora o placar mostrava 3×3.

OS PÊNALTIS

Alain Giresse foi o primeiro a cobrar pela França. Com uma tranquilidade aparente, ele chutou no canto do gol e a França estava à frente do marcador (1×0).

O capitão alemão, Manfred Kaltz, empatou rapidamente (1×1).

Amoros para França (2×1)

Breitner para Alemanha (2×2)

Rocheteau para França (3×2). Todos marcaram com facilidade até que a cobrança de Uli Stielike foi defendida pelo goleiro francês Ettori. O jogador alemão jogou-se no chão em lágrimas enquanto os companheiros tentavam consolá-lo.

Agora era a vez de o francês Didier Six ficar com os nervos à flor da pele. A presença de Schumacher pareceu, de repente, crescer a cada segundo. Schumacher defendeu o pênalti de Six.

Littbarski, Platini e Rummenigge converteram as cobranças antes que Bossis se apresentasse para cobrar o último pênalti para les bleus.

O chute do jogador foi fraco e Schumacher, que havia antecipado a direção, estava lá para fazer esta defesa tão importante. Agora, tudo dependia da Alemanha.

Horst Hrubesch, que era conhecido por habilidade com as bolas aéreas, estava com a responsabilidade de cobrar o último pênalti para a Alemanha. Ele apresentou-se e tirou a bola de Ettori com confiança para marcar o gol decisivo (5×4). A Alemanha havia chegado à final da Copa do Mundo de 1982!

Platini em Lágrimas! Enquanto os alemães celebravam, o francês, exausto, caiu no chão e chorou. Esta foi a derrota que o grande time francês dos anos 80 nunca aceitaria. “Se tivéssemos percebido como éramos bons, nunca teríamos perdido aquele jogo”, comentou Platini.

Giresse foi o primeiro a bater pênalti na decisão. E converteu para a França.

Giresse foi o primeiro a bater pênalti na decisão. E converteu para a França.

A classe e a técnica francesa não eram suficientes para classificá-los para a final. O estilo de jogo alemão, construído sobre disciplina e trabalho duro, havia ganhado o dia. Pela quarta vez na história, a mannschaft tinha cinquenta por cento de chance de erguer a Copa do Mundo da FIFA.

A Alemanha passou a final após uma vitória épica contra a França de Platini, no outro jogo que marcou a Copa, ao lado de Brasil contra Itália. No tempo normal, 1×1. Na prorrogação, a França chega a fazer 3×1, mas os alemães, liderados por Rummenigge, buscaram o resultado e empataram o jogo em sete minutos, em uma das mais espetaculares reações de todos os tempos. Na primeira decisão por pênaltis da história, deu Alemanha. O lado lamentável foi a covarde agressão que o goleiro alemão, Harald Schumacher, cometeu sobre Patrick Battiston, que caiu no chão sem sentidos, o que fez muitos acreditarem que o atacante francês havia morrido.

E esta foi a primeira edição do “Heróis de Luvas” aqui no blog do Goleiro de Aluguel! Espero que vocês tenham gostado e, em breve, o quadro irá voltar contando mais histórias do mundo dos goleiros e do futebol. Até lá!