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Na História de Todas as Gerações

É, hoje a história vai ser de um goleiro que talvez os brasileiros não gostem por se lembrarem daquela fatídica final da Copa do Mundo de 1998, em que o Brasil levou aquela surra da França, mas isto é uma história que iremos contar depois, pois hoje iremos abordar a carreira de Fabien Alain Barthez, ou simplesmente Barthez, talvez o goleiro mais importante da história da seleção francesa, ou pelo menos o maior campeão dela. Barthez nasceu na cidade francesa de Lavelanet, em 28 de Junho de 1971 e iria fazer história na França e no futebol francês.

Com apenas três anos, os pais de Barthez se separaram e ele passou a viver em mundo bastante dividido. Ele ingressou na base do Lavelanetien Stadium desde os sete anos, mas enquanto a mãe dele queria que ele seguisse no futebol, o pai dele preferia o ver jogando rugby, afinal o pai dele era adepto deste esporte. Barthez treinava rugby pelas manhãs e futebol às tardes no Lavelanetien, sempre se destacando com boas atuações no gol. Anos depois, seguindo a treinar futebol e com quinze anos, Barthez foi para a base do Toulouse FC e por lá seguiu até 1990, quando se profissionalizou com vinte anos.

A estreia de Barthez nos gramados como goleiro profissional do Toulouse só viria a acontecer um ano depois, em 1991, em uma partida válida pela Ligue 1 da temporada 1991/1992, contra o Nancy, uma partida fora de casa que terminou empatada em 1×1. Nesta temporada, Barthez começara como o terceiro goleiro do Toulouse, mas o goleiro titular e o segundo goleiro se lesionaram, a missão caiu nas mãos dele, mas apesar de um empate na estreia, os técnicos olharam com boa perspectiva sobre ele, com isto Barthez seguiu como titular e assim o foi pelo restante daquela temporada, se destacando nas 26 partidas que atuou naquela jornada.

O Tolouse terminou em 11º lugar na colocação geral da Ligue 1, mas Barthez atuou muito bem debaixo das traves, ao ponto dos atuais campeões da Ligue 1, o Olympique de Marselha, oferecerem uma proposta para ele rumar ao clube de Marselha, com um salário cinco vezes maior que ele ganhava no Toulouse, Barthez obviamente aceitou, e logo com 21 anos viria a disputar uma UEFA Champions League na carreira, sendo o goleiro titular da equipe francesa e lá ele seguiria fazendo história.

Barhtez defendo o Toulouse em 1992, ainda tinha cabelo

 

Na UEFA Champions League 1992/1993, o Olympique passou na primeira fase pelo Glentoran, da Irlanda do Norte, após vencer a ida fora de casa por 5×0 e em casa por 3×0, na segunda fase, passariam pelo Dínamo Bucareste, da Romênia, após empatar a ida na Romênia sem gols e vencer em casa pelo placar de 2×0. Com isto, o Marseille já estava entre os oito melhores times da Europa, visto que agora seria uma fase de grupos, duas chaves com quatro times cada e o primeiro colocado de cada grupo iria disputar a finalíssima para descobrir quem era o melhor da Europa.

O Olympique caiu no Grupo A, junto com o Rangers da Escócia, o Club Brugge da Bélgica e o CSKA Moscou da Rússia e o Olympique de Marselha de Barthez terminou em primeiro lugar no grupo após três vitórias (3×0 sobre o Club Brugge em casa, 1×0 sobre o Club Brugge fora e 6×0 sobre o CSKA Moscou em casa) e três empates (2×2 com o Rangers na Escócia, 1×1 com o Rangers em casa 1×1 com o CSKA Moscou fora de casa) para se classificarem a final da UEFA Champions League 1992/1993, que seria em Munique, na Alemanha, contra o Milan, da Itália: a final ocorreu em 26 de Maio de 1993 e o Marselha iria se sagrar campeão, após um gol de Basile Boli ao final do primeiro tempo, vencendo os italianos por 1×0 e pela primeira vez na história um time francês se tornara campeão do torneio de clubes mais importante da Europa (e até hoje foi a única vez que um time francês conseguiu este feito).

Não bastasse fazer história com o clube, Barthez, com esta conquista, faria história de maneira individual, pois, com 22 anos incompletos, Barthez se tornara o goleiro mais jovem da história da UEFA Champions League a se tornar campeão do torneio, este recorde só seria batido por Casillas, goleiro do Real Madri, ao vencer a UEFA Champions League 1999/2000 sobre o Valência, quando ele tinha apenas 19 anos e quatro dias. Nesta mesma temporada, o Olympique iria sair campeão também da Ligue 1, mas na pilantragem, porque fora descoberto que o clube utilizou-se de um esquema de compra de árbitros e manipulação de resultados para vencer o Campeonato Francês daquele ano (isto após o título da Ligue 1 e da UEFA Champions League), com isto o Olympique fora suspenso de competições da UEFA, não participando da final do Mundial Interclubes ao fim daquele ano contra o São Paulo de Zetti (abordado duas edições atrás no quadro), sendo que o clube francês foi substituído pelo Milan, vice-campeão da UEFA Champions League 1992/1993. Não bastasse isto, o título foi retirado do Olympique, não havendo campeão oficial da Ligue 1 na temporada 1992/1993 e o clube fora obrigado a jogar a Ligue 2 (segunda divisão Francesa) na temporada 1994/1995, visto que a temporada 1993/1994 já estava em andamento: nesta temporada, o Olympique terminou em segundo lugar na Ligue 1 e conseguiu direito de participar da UEFA Europa League de 1994/1995, mesmo estando na segunda divisão francesa.

Elenco do Olympique de Marselha campeão da UEFA Champions League 1992/1993.

Na Europa League de 1994/1995, o Olympique não durou muito, caiu logo na segunda fase, após passar da primeira fase pelo Olympiacos, ao vencer na Grécia por 2×1 a ida e a volta em casa por 3×0, foram eliminados na segunda fase para o Sion, ao perder a ida na Suíça por 2×0, venceram a volta em casa por 3×1, mas caíram por causa da ridícula regra dos gols fora de casa. Não é nem preciso dizer que o Olympique de Barthez foi campeão da Ligue 2 daquela temporada, não foi com certa folga como se esperava, mas se sagraram campeão e voltariam para a primeira divisão francesa na temporada seguinte, mas na próxima jornada, Barthez iria trocar de clube e rumar ao AS Monaco FC.

Mesmo estando na segunda divisão francesa, Barthez não saiu do Olympique de Marselha e continuou a ter grandes atuações, tanto que em 1994 ele teve a primeira chance como titular na seleção francesa, em um amistoso contra a Austrália em 26 de Maio, que a França venceu por 1×0. Na primeira temporada pelo Monaco, Barthez ficou apenas no quase com a equipe, chegaram até às oitavas-de-final da Coupe de France, quando após empate em 1×1 com o Lille, perderam por 5×4 nos pênaltis, foram eliminados logo na primeira fase da UEFA Cup (atual UEFA Europa League) e terminaram em terceiro lugar na Ligue 1.

Antes da temporada 1996/1997, Barthez foi convocado para o primeiro torneio internacional da carreira dele na seleção francesa, que foi a Eurocopa de 1996, mas não jogou nenhuma partida, pois era o reserva de Bernard Lama; a França chegou até às semifinais daquela Euro, quando foram eliminados nos pênaltis para a República Tcheca. Aquele foi o único torneio que Barthez fora reserva da seleção francesa, Lama se tornara o reserva após a Euro e Bathez seria o titular da seleção francesa pelos próximos seis torneios internacionais seguintes.

Barthez voltara a comemorar títulos na temporada 1996/1997, agora pelo Monaco, em que após terem sido eliminados para o Stade Lavallois logo na primeira fase da Coupe de France e chegarem até às semifinais da UEFA Cup daquela temporada (passaram pelo Hutnik Cracovie da Polônia na terceira fase vencendo os jogos de ida e volta, pelo Borussia Mönchengladbach da Alemanha na quarta fase, pelo Hamburg SV, também da Alemanha, vencendo os jogos de ida e volta nas oitavas-de-final e pelo Newcastle United nas quartas-de-final também vencendo os jogos de ida e volta) sendo eliminados pela Internazionale de Pagliuca (abordado na segunda edição do quadro) nas semifinais, após perder a ida por 3×1, a vitória em casa por 1×0 não fora suficiente para classificar a final. Passado tudo isto, Barthez finalmente comemora um título com o Monaco, após serem campeões nacionais da Ligue 1 com bastante folga, somando 79 pontos nos 38 jogos disputados, sendo que o segundo colocado, o Paris Saint-Germain, somou 67.

Thierry Henry e Fabien Barthez no AS Monaco.

Barthez também ganhou em 1997 o Trophée des Champions, torneio disputado entre o vencedor da Ligue 1 e da Coupe de France em que o Monaco venceu o Nice no Stade de la Méditerranée, em Béziers, por 5×2 para se sagrar o campeão do torneio. Com o título da Ligue 1, o AS Monaco ganhou vaga direta para a fase de grupos da UEFA Champions League 1997/1998, aonde caíram no Grupo F, junto com o Bayer Leverkusen, Sporting e o Lierse, da Bélgica, e o Monaco se classificou para a fase final após terminar em primeiro no grupo, com quatro vitórias, um empate e uma derrota. Nas quartas-de-final, o Monaco passou pelo Manchester United e de fase graças a regra dos gols fora, após empatar em casa sem gols e em 1×1 na Inglaterra. Iriam cair nas semifinais, para a Juventus, após perder a ida na Itália por 4×1, a vitória em casa por 3×2 não fora suficiente para passar os franceses à finalíssima.

O Monaco chegou nas quartas-de-final da Coupe de France 1997/1998 até ser eliminado para o Paris Saint-Germain e também terminou em terceiro lugar na Ligue 1. Barthez não teria tantas felicidades nesta temporada no Monaco, mas teria muito a comemorar com a seleção francesa. Por ser o país-sede da Copa do Mundo de 1998, a França já tinha vaga direta garantida para o torneio; caíram no Grupo C, junto com África do Sul, Arábia Saudita e Dinamarca, na estreia ganharam por 3×0 dos sul-africanos, venceram a Arábia saudita por 4×0 e Barthez só tomou gol no terceiro jogo, após vencerem por 2×1 a Dinamarca. Com as três vitórias e 100% de aproveitamento, a França passou em primeiro lugar na chave e iria enfrentar o Paraguai nas oitavas-de-final.

Na fase final, a França eliminou o Paraguai no sufoco, após tanto tentar passar por Chilavert e principalmente por Gamarra, melhor zagueiro daquela Copa do Mundo, que não deixava a bola passar e não cometeu uma falta sequer, Blanc conseguiu fazer o gol francês ao nove minutos do segundo tempo da prorrogação, o gol de ouro, que classificou os franceses e eliminou os paraguaios. Nas quartas-de-final, outro sufoco, após empatar sem gols com a Itália, a vaga para as semifinais fora decidida nos pênaltis, começou mal à França quando Lizarazu parou em Pagliuca, mas Barthez defendera a cobrança de Albertini em seguida e depois Di Biagio chutou na trave e classificou a França para as semifinais contra a surpreendente e estreante Croácia e mais um sufoco, com uma vitória por 2×1 de virada. A final seria contra o Brasil, atual campeão, outro sufoco? Que nada, o nosso Brasil pipocou naquela final, Roberto Carlos entregou o ouro (pra variar) e Ronaldo não estava bem, a França venceu fácil por 3×0 com Barthez defendendo, Zidane destruindo, Henry jogando muito e Petit completando o caixão no último lance. A França conquistara pela primeira vez a Copa do Mundo, com Barthez debaixo das metas salvando o time e sofrendo apenas dois gols em sete jogos.

Barthez em ação na final da Copa do Mundo de 1998.

Barthez havia sido eleito o melhor goleiro do campeonato francês 1997/1998 e, de quebra, foi eleito o melhor goleiro da Copa do Mundo de 1998. Notou-se que, após a vitória francesa na Copa do Mundo de 1998, muitos nascidos na França depois do torneio ganharam o nome de Zinédine (em homenagem a Zinédine Zidane), de Thierry (em homenagem a Thierry Henry), Lilian (em homenagem a Lilian Thuram), Bixente (em homenagem a Bixente Lizarazu) e Fabien (em homenagem ao goleirão Fabien Barthez).

Barthez iria repetir uma temporada boa com vários títulos em 1999/2000, quando ele se sagrou mais uma vez campeão da Ligue 1 com o Monaco e mais uma vez com folga, quando marcaram 65 pontos nos 34 jogos disputados, contra 58 do segundo colocado, o Paris Saint-Germain. Passada esta temporada, Barthez iria continuar a fazer história com a França, agora na Eurocopa 2000, sediada na Bélgica e na Holanda. A França caiu no Grupo D, junto com Holanda, Dinamarca e República Tcheca, venceram a Dinamarca na estreia por 3×0, a República Tcheca por 2×1 e perderam o último jogo da fase de grupos para a Holanda por 3×2, mas tudo isto foi suficiente para classificar a França à fase final, terminando em segundo lugar no grupo.

Nas quartas-de-final, a França passou pela Espanha em uma vitória por 2×1 para se classificar às semifinais contra Portugal, se classificaram graças a extinta regra do gol de ouro, em que, após a partida terminar em 1×1, Zidane marcou de pênalti para os franceses aos doze minutos do segundo tempo da prorrogação para se classificarem a final. Na finalíssima contra a Itália, a França saiu perdendo e tudo se encaminhava para o título italiano, até Wiltord empatar o jogo aos 48 do segundo tempo, mandando a decisão para prorrogação e mais uma vez, a França venceu graças ao gol de ouro, após jogada de Zidane, Trezeguet empurrou a bola para o fundo das redes de Francesco Toldo aos treze minutos do primeiro tempo da prorrogação para virar o jogo e trazer o título a França. Foi a primeira vez que uma seleção vencia a Copa do Mundo e ganhava a Eurocopa seguinte.

Barthez na UEFA Euro 2000.

Terminada aquela temporada, Barthez iria ser alvo de uma transferência internacional, saindo do Monaco da França e indo rumar ao Manchester United por £7.800.000 e antes do ano 2000 terminar, Barthez fora eleito pela IFFHS o melhor goleiro do mundo daquele ano. Barthez chegou ao Manchester como um substituto do lendário Peter Schmeichel, e logo na primeira temporada pelo Manchester United, Barthez se saiu campeão inglês, e com folga sobre o vice, o Arsenal de David Seaman (abordado na quarta edição do quadro) com o Manchester United fazendo 80 pontos nos 38 jogos disputados, sendo a equipe que mais venceu (24 vitórias), menos perdeu (seis derrotas), mais fez gols (79 gols marcados) e menos sofreu gols (31 gols sofridos). Barthez atuou muito bem nesta temporada, sendo decisivo para ajudar a equipe ser campeã e ter a defesa menos vazada, caindo nas graças da torcida.

A partir de então, Barthez entrara em um certo “declínio” podemos dizer assim, pois ele começou muito mal a temporada 2001/2002, cometendo muitos erros bobos, entregando o gol em dribles desnecessários (que ele sempre costumou fazer) e em passes arriscados que deixou a torcida e a própria direção bastante céticos com o trabalho que ele estava a realizar no Manchester United. Nesta temporada, Barthez não comemorou títulos com o Manchester United, poderia dar a por cima na segunda Copa do Mundo da carreira, a de 2002, sediada na Coréia do Sul e do Japão.

A França era a atual campeã das Copas do Mundo e da UEFA Euro, chegou como uma das favoritas ao título e iria ao menos fazer uma boa campanha, certo? Errado! A França foi uma das grandes decepções do torneio, senão a maior decepção daquela Copa do Mundo, perdeu na estreia para o Senegal por 1×0, empatou o segundo jogo com o Uruguai sem gols e perdeu o terceiro jogo para a Dinamarca, por 2×0, a favoritíssima França fora eliminada logo na fase de grupos da Copa do Mundo, com apenas um ponto e sem marcar um único gol.

Na temporada 2002/2003, Barthez saiu-se novamente campeão da Premier League, mas esta foi mais uma temporada ruim pra ele, marcado com vários erros em todas as competições: saiu de maneira controversa em um gol de Ronaldo, em uma partida contra o Real Madri que ajudou na eliminação dos red devils nas quartas-de-final da UEFA Champions League, tomou um golaço de Gerrard na final da Worthington Cup, estava fora de posição, em uma partida que o Liverpool de Dudek (abordado na oitava edição do quadro) se saiu campeão após vencer por 2×0, fora outras falhas na Premier League que, felizmente, não pesaram para que o Manchester United saísse com o título, mas as más atuações debaixo das metas dos red devils, aliado com a desistência do lendário Sir Alex Ferguson de o deixar como titular, pois Tim Howard acabara de assinar com o Manchester, Barthez concordou em voltar para a França, sendo emprestado ao Olympique em Outubro de 2003 para o restante da temporada 2003/2004, mas isto não foi possível pois a FIFA não deixou, afinal a janela de transferências não estava aberta.

Antes de voltar ao Olympique de Marselha e antes mesmo da temporada 2003/2004 começar, Barthez viria a ganhar mais um título com a seleção francesa, a Copa das Confederações de 2003, sediada na França: os franceses estavam no Grupo A, junto com a Colômbia, o Japão e a Nova Zelândia, venceram todos os jogos da chave, venceram a Colômbia por 1×0, o Japão por 2×1 e a Nova Zelândia por 5×0. Nas semifinais, venceram a Turquia por 3×2 e na final, mais uma vez, venceram graças o gol de ouro, após um empate sem gols com Camarões no tempo normal, Henry fez um gol aos sete minutos do primeiro tempo da prorrogação para erguer a taça.

Quando a janela de transferências abriu em janeiro de 2004, Barthez fora emprestado ao Olympique pelo restante da temporada, por lá seguiu até o fim da temporada 2003/2004, então o Olympique comprou o passe de Barthez e o contratou definitivamente. Em 2004, Barthez seria mais uma vez o titular da seleção francesa em um torneio internacional, agora na Eurocopa 2004: a França caiu no Grupo B, junto com Inglaterra, Croácia e Suíça; passou em primeiro lugar no grupo após vencer a Inglaterra por 2×1 de virada com os dois gols de Zidane nos acréscimos do segundo tempo, venceram a Suíça por 3×1 e empataram em 2×2 com a Croácia para se classificarem às quartas-de-final, fase em que foram eliminados para os azedos, surpreendentes e futuros campeões gregos, com gol de Charisteas.

Naquele final de temporada de 2003/2004, Barthez quase venceu a UEFA Europa League com o Olympique de Marselha, após eliminarem na terceira fase o Dnipro Dnipropetrovsk da Ucrânia, vencendo em casa por 1×0 e empatando sem gols a volta, eliminando o Liverpool nas oitavas-de-final após empatar na Inglaterra em 1×1 e vencer na França por 2×1, passar pela Internazionale nas quartas-de-final ao vencer os dois jogos por 1×0, eliminar o Newcastle United da Inglaterra após empatar fora sem gols e vencer em casa por 2×0, o Olympique de Marselha chegara a final, que seria em jogo único na Suécia e o adversário seria os espanhóis do Valência do lendário Cañizares. Barthez talvez tenha sido crucial para a derrota, afinal, no final primeiro tempo, ele cometeu um pênalti em Mista, sendo expulso neste lance e fez com que o reserva Jérémy Gavanon entrasse no lugar dele. Vicente converteu o pênalti para o Valência e Mista ampliou no segundo tempo, os valencianos venceram por 2×0 e o Olympique de Barthez teve de se contentar com um vice-campeonato.

Barthez seguiu com boas atuações, seguindo na seleção francesa, mas agora estava mais a sombra de Gregory Coupet, novato que estava brilhando no Lyon. Apesar disto, Barthez foi convocado para a Copa do Mundo de 2006 e seria o titular mais uma vez, uma surpresa para todos, visto que estavam a dar como certo a titularidade para Coupet. A França começou mal, não chegou como favorita e sim como uma seleção que pudesse surpreender, deu indícios que mostraria uma outra fraca campanha, após empatar em 0x0 com a Suíça na estreia e em 1×1 com a Coréia do Sul, a vitória por 2×0 no terceiro jogo contra a fraca seleção de Togo não convenceu, mas foi suficiente para os franceses se classificarem em segundo lugar no Grupo F.

As oitavas-de-final foram contra a Espanha, que já despontava como uma grande seleção e era a favorita para vencer, mas os franceses se classificaram após saírem perdendo, empataram a partida no final do primeiro tempo, viraram no final do jogo e ainda deu tempo de ampliar, vencendo por 3×1. Nas quartas-de-final, Zidane jogou muito, Roberto Carlos entregou o ouro de novo, estava mais preocupado com o meião desarrumado do que com o jogo e a França eliminou o nosso Brasil vencendo por 1×0 com gol de Henry. Nas semifinais, em um jogo disputadíssimo e de igual pra igual, a França surpreendeu a todos e se classificou para a final da Copa do Mundo de 2006 após mais uma vitória por 1×0, agora sobre Portugal, com gol de pênalti de Zidane. A final seria contra a Itália, e tudo se encaminhava para o bicampeonato da França quando logo aos seis minutos do primeiro tempo, Zidane abriu o placar cobrando pênalti (de cavadinha), mas Materazzi viria a empatar o jogo ainda no primeiro tempo. Na prorrogação, o jogo permaneceu empatado e ficou marcado pela cabeçada que Zidane aplicou no peito de Materazzi, após o italiano ficar xingando o francês e a família dele. Nos pênaltis, Trezeguet chutou no travessão, a Itália converteu todos os chutes e o sonho do bicampeonato mundial para a França e para Barthez ficou numa doce ilusão, se contentaram com o vice, enquanto a Itália levantava a taça pela quarta vez.

Barthez e Zidane na Copa do Mundo de 2006.

Ao final daquela Copa do Mundo, Barthez decidiu se aposentar da seleção francesa e dar a oportunidades para novos goleiros, conquistou três títulos e se tornara o goleiro que mais vestiu a camisa da França em partidas oficiais, sendo 87 vezes, além disto, foi o goleiro que mais vezes vestiu a camisa da França em Copas do Mundo, sendo 17 vezes e em dez partidas não sofreu gols. Passada aquela Copa do Mundo, Barthez veio a público informar que estava a procura de um novo clube e mostrou desejo em retornar ao Toulouse, não só por ser o clube que o revelou profissionalmente, como também para cuidar da mãe dele, que morava em Toulouse, mas as negociações com o clube que o revelou fracassaram, e Barthez decidiu se aposentar.

Mas esta aposentadoria durou pouco, no final de 2006 ele assinou com o Nantes, que o contratou buscando um goleiro experiente para preencher a vaga deixada por Landreau, que havia rumado ao Paris Saint-Germain. Atuou apenas o restante da temporada 2006/2007 e não atuou bem no período em que passou pelo Nantes, sendo que, ao final da temporada, o Nantes fora rebaixado. Com o término daquela jornada, o presidente do Nantes rescindiu contrato com o Barthez, que no começo se negou a aposentar-se, dizendo que queria jogar mais uns dois anos, entretanto, nenhuma equipe o procurou e ele foi meio que “forçado” a se aposentar. No fim de 2007, a equipe mexicana do Necaxa chegou a oferecer uma proposta pra ele, mas Barthez recusou dizendo que já havia planejado o futuro dele e que estava definitivamente aposentado.

E esta foi a décima-sexta edição do “Muralhas Lendárias” aqui no blog oficial do Goleiro de Aluguel! Espero que vocês tenham gostado da abordagem sobre a carreira de Fabien Barthez, goleiro multi-campeão com a seleção francesa e que esteve presente nos melhores momentos da história da França. Semana que vem, o quadro volta abordando a carreira de mais um goleiro lendário, até a próxima sexta-feira!

GRANDES DEFESAS DE FABIEN BARTHEZ:

FRANÇA 3X0 BRASIL – FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1998: