Sem Deixar a Bola Passar… Nem as Canelas dos Adversários

Tem muitos goleiros que ninguém esquece por conta de uma característica específica, por vezes, as grandes defesas até ficam de lado, é o caso de Rogério Ceni fazendo gols, de Jorge Campos e os chamativos uniformes, Pablo Aurrecochea homenageando cartoons, Petr Cech e o “capacete”… Entre tantos outros, e no caso de hoje estamos falando de Fábio Costa, que por mais grandes defesas e títulos que tenha conquistado, ficou marcado pelas saídas de gol “criminosas” que protagonizava, acertando as canelas do adversário e sempre causando o pênalti… ou melhor, quase sempre, pois no manchado Campeonato Brasileiro de 2005, Fábio Costa protagonizou uma das famosas saídas de gol em Tinga, pênalti claro que o juizão não deu, mas vamos tratar desta história mais para frente.

Fábio Costa nasceu em 27 de novembro de 1977, na cidade baiana de Camaçari e iria começar logo aos 14 anos, ingressando na base do Bahia. Pela base, chegou a passar pelo Cruzeiro e chegou até a ir para a Holanda, jogar na base do PSV Eindhoven, por lá ficou apenas um ano, quando chegou em 1995 na base do Vitória, time aonde viria a se profissionalizar aos 16 anos. Mesmo se profissionalizando em 1996, Fábio Costa só viria a estrear profissionalmente pelo Vitória em 1999, quando tomaria a titularidade para si após a saída do também lendário Sérgio ao Palmeiras (para ficar na reserva de São Marcos). No banco, Fábio Costa se tornou campeão do Baianão em 1996 e 1997.

O Campeonato Baiano de 1999 seria recheado de polêmica. O torneio era decidido em dois turnos e o vencedor de cada turno faria uma finalíssima. A final do primeiro turno foi um Ba-Vi, em que o Bahia saiu-se campeão; a final do segundo turno foi outro Ba-Vi, desta vez vencido pelo Vitória de Fábio Costa. Ou seja, a finalíssima do Campeonato Bahiano de 1999 seria um Ba-Vi em ida e volta e aí começaria a polêmica. O Vitória tinha direito de escolher o campo aonde realizaria a segunda partida da final, mas o Bahia entrou com uma ação judicial e conseguiu que as duas partidas da finalíssima fossem realizadas na Fonte Nova, sem o consentimento do rival. A primeira partida da final (com dito mando de campo do Bahia) aconteceu e o tricolor ganhou por 2×0, a segunda partida (com dito mando do Vitória) não, aconteceu que cada delegação foi para um estádio, ambos declararam W.O. e se consideraram campeões. Com isto, as duas equipes foram declaradas campeões do torneio (em 2002, a Federação Baiana declarou que nenhum dos clubes tinham direito ao título, mas voltou atrás de 2005 e declarou ambos como campeões).

Neste mesmo ano, o Vitória fez um grande Campeonato Brasileiro, após conseguir terminar em sexto lugar na primeira fase daquele polêmico Brasileirão (descubra todo o porquê da polêmica dos Brasileirões de 1999 e 2000 clicando aqui, aproveite e conheça toda a carreira de Silvio Luiz). Por ter chego em sexto lugar, o Vitória se classificou para a segunda fase do Brasileirão, aonde iria enfrentar o Vasco da Gama. No primeiro jogo, uma vitória suada e memorável por 5×4 (Fábio Costa pegou um pênalti neste jogo), na volta em São Januário, um empate em 2×2, o que ocasionou um terceiro jogo entre as duas equipes, novamente em São Januário, e um empate em um gol garantiria o Vitória nas semifinais daquele Brasileirão. Nas semifinais, contra o Atlético Mineiro, o Vitória perdeu a primeira partida em casa por 3×0, mas iria vencer por 2×1 fora de casa, ocasionando um terceiro jogo no Mineirão, mas iriam novamente perder por 3×0 e seriam eliminados pelo galo. Apesar disto, o Vitória fez uma bela campanha e terminou em terceiro lugar na classificação geral.

Fábio Costa em ação pelo Vitória contra a Portuguesa no Canindé, em partida válida pela 10ª rodada do Campeonato Brasileiro de 1999 – resultado: Portuguesa 1x3 Vitória

Fábio Costa em ação pelo Vitória contra a Portuguesa no Canindé, em partida válida pela 10ª rodada do Campeonato Brasileiro de 1999 – resultado: Portuguesa 1×3 Vitória

As boas atuações de Fábio Costa com a camisa do Vitória, fariam com que ele fosse o destaque do leão em 1999 e isto despertou interesses maiores de grandes clubes do Brasil, e Fábio Costa se transferiu para o Santos em 2000 para substituir o lendário Zetti, que estava rumando ao Fluminense. Entretanto, nesta mesma época, o Santos contratou a lenda vascaína, Carlos Germano. Germano não rendeu o esperado e, ao invés de darem oportunidade a Fábio Costa na Copa João Havelange (Brasileirão de 2000), o Santos resolveu ir atrás de mais um goleiro, Pitarelli, que havia sido destaque da Lusa no Campeonato Paulista daquele ano. Fábio Costa chegou a ocupar o posto de terceiro goleiro do peixe.

No ano 2000, aconteceu o pouco que Fábio Costa realizou com a seleção brasileira; ele foi convocado por Vanderlei Luxemburgo para compor a seleção brasileira no Torneio Pré-Olímpico, realizado no Estádio do Café, em Londrina, Paraná. Nos dois primeiros jogos, Fábio Costa foi reserva do também lendário Silvio Luiz, depois foi titular nas outras duas partidas da chave e no quadrangular final. O Brasil empatou a estreia contra o Chile em 1×1, depois venceu o Equador por 2×0, a Venezuela por 3×0 e a Colômbia por incríveis 9×0, se classificando para o quadrangular final. Na segunda fase, o Brasil venceu a Argentina por 4×2, venceu o Chile por 3×1 e empatou em 2×2 com o Uruguai, terminando em primeiro lugar no Torneio Pré-Olímpico e se classificando para as Olimpíadas de 2000, em Sydney,  na Austrália, junto com o Chile, segundo colocado no quadrangular final.

Curiosidade: a seleção chilena já havia dispensado a delegação inteira antes da partida do Brasil contra a Colômbia, pois para o Chile se classificar ao quadrangular final, era necessário que o Brasil vencesse os colombianos por pelo menos sete gols de diferença. Aconteceu o já relatado 9×0, e todos tiveram de voltar (e ainda conseguiram terminar em segundo lugar e conseguiram uma vaga nas Olimpíadas daquele ano!)

Fábio Costa foi convocado para as Olimpíadas de 2000 e chegou inclusive a ser convocado para a Copa das Confederações de 2001, mas, em ambos os casos, não atuou um minuto sequer. Depois destes eventos não chegou mais a ser convocado para a seleção brasileira.

Fábio Costa ao canto esquerdo da imagem junto com o elenco da seleção brasileira olímpica de Sydney, 2000

Fábio Costa ao canto esquerdo da imagem junto com o elenco da seleção brasileira olímpica de Sydney, 2000. Neste torneio, ele foi o segundo goleiro, reserva de Helton

Em 2001, com a saída de Germano para a Portuguesa e o não-convencimento de Pitarelli debaixo das metas santistas, Fábio Costa ganhou oportunidades como titular do peixe. No Torneio Rio-São Paulo, o Santos terminou a primeira fase com a melhor campanha geral, somando três vitórias e um empate (em um grupo junto com São Paulo, Corinthians e Palmeiras), inclusive com a defesa menos vazada, que sofreu apenas dois gols. Entretanto, foram eliminados logo nas semifinais pelo Botafogo, após empatar em um gol no Engenhão, mas perderam em casa pelo placar mínimo. No Paulistão, o Santos terminou em segundo lugar na primeira fase dentre dezesseis times, sendo que os quatro melhores iriam para o mata-mata final, mas fora eliminado logo nas semifinais para o Corinthians, após empatar em um gol a ida, perdeu em casa por 2×1. E ainda em 2001, o Santos decepcionaria na Copa do Brasil, ao nem passar pela fase prévia, ao ser eliminado pelo Bahia ao perder os dois jogos por 2×0. No Brasileirão, terminaria apenas em 15º.

No ano de 2002, o Santos foi mal na Rio-São Paulo (a última edição deste torneio) e pior ainda na Copa do Brasil, quando, mais uma vez, não passaram sequer das fases prévias. Restava o Campeonato Brasileiro. Na primeira fase, o Santos terminou em oitavo lugar, ficando com a última vaga para a disputa da segunda fase de mata-mata, apenas conseguiu a vaga por conta do saldo de gols, visto que o Santos tinha um saldo melhor que o do Cruzeiro (nono colocado), mesmo que os dois tivessem o mesmo número de pontos (39 pontos). O Santos, considerado fraco, iria decidir todos os jogos fora de casa e era um dos favoritos a dizer adeus à competição logo nas quartas-de-final contra o extremo favorito e rival São Paulo… que engano! O Santos venceu os dois jogos do São Paulo, tanto a ida quanto a volta em casa por 2×1. Nas semifinais, contra o Grêmio, o Santos aplicou 3×0 no tricolor gaúcho na Vila Belmiro e mesmo perdendo por 1×0 para o Grêmio no Olímpico Monumental, o Santos se classificou de fase e iria enfrentar o Corinthians na decisão (os dois jogos seriam no Morumbi, nenhum seria nem na Vila Belmiro nem em Parque São Jorge, tudo no estádio do São Paulo).

No primeiro jogo, 2×0 para o Santos e o título estava, de certa forma, bem encaminhado, mas ainda tinha segundo jogo e o Corinthians, por ter melhor campanha na primeira fase, tinha a vantagem do saldo de gols; ou seja, se o Corinthians vencesse o Santos por qualquer placar por dois gols de diferença, era o campeão. O Santos saiu ganhando com Robinho, após jogada de individual, sofrer pênalti, ele mesmo cobrou; bola em um lado, Doni no outro. Santos 1×0. No segundo tempo, Fábio Costa trabalhou muito e fez grandes defesas, mas o Corinthians iria empatar aos 30 minutos e virar aos 39, iria ser emoção até o final! Aos 44 minutos, após grande jogada de Robinho, ele passou para Elano empatar novamente e dar folga ao Santos. O Corinthians, precisando de dois gols de novo, veio com tudo para cima… e numa destas o Santos puxou o contra-ataque (outra vez ele, Robinho), Léo recebeu a bola e ainda deu tempo de virar a partida no último lance. 3×2 para o Santos, um jogaço! Um jogo que marcou o “último Campeonato Brasileiro”, afinal em 2003, começaria este lixo chamado “pontos corridos”.

Elenco do Santos campeão brasileiro de 2002

Elenco do Santos campeão brasileiro de 2002

Em 2003, o Santos não começou tão bem o ano no Paulistão, ficando pelo caminho logo na primeira fase, pois a prioridade do peixe era a Libertadores. O Santos caiu no Grupo 03, junto com o América de Cali (Colômbia), El Nacional (Equador) e 12 de Octubre (Paraguai) e iria terminar em primeiro lugar na chave após vencer quatro jogos e empatar dois, tendo a segunda melhor campanha geral, o melhor ataque e a segunda melhor defesa junto com o Racing. Nas oitavas-de-final, contra o Nacional do Uruguai, Fábio Costa virou herói da classificação! Após empatar a ida no Uruguai em incríveis 4×4, o Santos empatou em 2×2 a ida na Vila Belmiro, como não existia a ridícula regra dos gols fora, a vaga seria decidida nos pênaltis, aonde o Santos se classificou para as quartas após vencer por 3×1 a disputa: o Santos cobrou três penalidades e converteu todas, o Nacional cobrou quatro, parou três vezes em Fábio Costa (sendo que o único que marcou o gol nas penalidades do Nacional foi, justamente, o goleiro Munúa).

Nas quartas-de-final da Libertadores, o Santos iria eliminar os mexicanos do Cruz Azul, após empatar a ida no México em 2×2 e vencer pelo placar mínimo em casa. Nas semifinais, o Santos vencera o Independiente Medellín fora de casa por 1×0 e na Vila Belmiro por 3×2 pra se classificar para a final da Libertadores contra o tradicional Boca Juniors… E, podemos dizer que o Santos aprontaria um “fiasco”. O Santos chegou como extremo favorito a ser campeão daquela Libertadores, mas perdeu a ida na La Bombonera por 2×0; mesmo assim, o Santos chegou com a moral alta, muitos diziam que o 2×0 era até pouco e o Santos viraria o jogo… Aconteceu que o Santos perdeu em casa também, por 3×1. Fábio Costa, de certa forma, falhou nos dois últimos gols sofridos: o segundo gol, o time inteiro do Santos deu bobeira, a bola foi passada para Delgado, Fábio Costa saiu do gol para cima dele, mas Delgado conseguiu tirar de Fábio Costa e fez um gol de muito longe. O terceiro gol foi de pênalti, cometido por Fábio Costa sobre Jerez, oriundo de uma das famosas saídas de gol dele.

A trajetória do Boca campeão foi marcada por um jogo incrível: nas oitavas-de-final daquela Libertadores, o Boca enfrentou o Paysandu de Ronaldo Willis e perdeu a ida em casa por 1×0, mas se classificou ao vencer aqui no Brasil por 4×2.

Nos deveres nacionais, por estar participando da Libertadores, o Santos não participou da Copa do Brasil e seria vice-campeão brasileiro no primeiro Brasileirão da era dos pontos corridos, ficando treze pontos atrás do campeão, o Cruzeiro. Em 2004, Fábio Costa iria se transferir do Santos para um dos grandes rivais do peixe, o Corinthians. Curiosamente, Doni, que estava no Corinthians, foi para o Santos.

A passagem de Fábio Costa no Corinthians seria, sobretudo, polêmica, mas também um pouco apagada. Em 2004, o Corinthians passou em branco em todos os campeonatos: caiu logo na primeira fase do paulistão (chegou perto de ser rebaixado, por sinal), seria eliminado nas quartas-de-final da Copa do Brasil de maneira surpreendente para o Vitória, ao ganhar a ida em casa por 1×0 e perder por 2×0 a volta e conseguiu um singelo quinto lugar no Brasileirão de 2004, em que o Santos se sagrou campeão.

O lance mais marcante do Corinthians de 2005, a criminosa entrada de Fábio Costa em Tinga, uma das maiores ladroagens da história do futebol brasileiro

O lance mais marcante do Corinthians em 2005, a criminosa entrada de Fábio Costa em Tinga, uma das maiores ladroagens da história do futebol brasileiro

Depois de ter perdido o Campeonato Paulista para o São Paulo, terminando em segundo lugar (campeonato deste ano era de pontos corridos), a parceria corinthiana com a MSI (Media Sports Investment) se aprofundou e estava a formar um elenco milionário no alvinegro, que trouxe jogadores de alto nível mundial na altura, como Tevez, Mascherano, Sebá, Carlos Alberto e Nilmar, além do renomado (e insensato) técnico Daniel Passarella. O técnico argentino teve preferência de pôr Tiago debaixo das metas corinthianas no lugar de Fábio Costa no pouco período que ficou, ele havia afastado Fábio Costa por “deficiência técnica”, muito se deve na Copa do Brasil daquele ano, quando ainda nas prévias, o elenco recheado de estrelas do Corinthians perdeu para o inexpressivo Cianorte por 3×0, com falhas não só de Fábio Costa, como de todo o time. O Corinthians ainda chegou a passar desta fase, ao golear o Cianorte na volta em casa por 5×1, suspeita-se até hoje que a direção corinthiana tivesse comprado a partida de volta, com o Cianorte “vendendo” a classificação ao Corinthians.

Nas oitavas-de-final, Tiago já estaria no lugar de Fábio Costa, fase em que foram eliminados para o Figueirense, após vencerem em casa por 2×0 e perderem pelo mesmo placar no Orlando Scarpelli, aonde viriam a perder por 3×2 nos pênaltis, com Roger Flôres isolando a cobrança dele, em que muito se diz que ele chutou por cima de maneira proposital, a fim de derrubar Daniel Passarella. Ainda que curta, a passagem do técnico argentino no coringão foi extremamente polêmica, o elenco corinthiano estava rachado e Passarella não conseguiu conter as diferenças, pelo contrário, acabou brigando com jogadores como Roger Flôres, Gil, Dinélson e o próprio Fábio Costa. Passarella ficou sequer dois meses no comando do Corinthians, foi demitido após perder em casa um clássico contra o São Paulo por 5×1, em partida válida pela 3ª rodada do Brasileirão de 2005, que afundou ainda mais o Corinthians em uma crise.

Com a chegada de Antônio Lopes, Fábio Costa retomou a titularidade das metas corinthianas. Depois da saída de Daniel Passarella, o Corinthians melhorou e começou a decolar, mas para ser campeão, precisaria comprar o Brasileirão de 2005, e foi o que a MSI fez. Foi descoberto neste ano o esquema da “Máfia do Apito”, aonde árbitros, supostamente, estariam manipulando resultados de partidas importantes dos principais torneios de futebol do Brasil para auxiliar apostadores. No centro do escândalo, estava Edílson Pereira de Carvalho, aonde ele e outros juízes recebiam cerca de R$10.000 por partida fraudada. As partidas que supostamente foram fraudadas, foram remarcadas e jogadas novamente, nesta “brincadeira”, o Corinthians foi o time mais beneficiado, pois somou quatro pontos a mais do que tinha anteriormente.

Já não bastasse toda esta polêmica, em partida válida pela 40ª rodada do Brasileirão entre Corinthians e Internacional (os dois candidatos ao título daquele Brasileirão) no Pacaembu, um lance marcante que mudou o rumo daquele Brasileirão. A partida estava em clima de decisão, afinal só restariam duas partidas para Inter e Corinthians depois daquele jogo. O Corinthians tomou iniciativa e atacou mais, mas o Inter não deixou por menos; o Corinthians largou na frente no primeiro tempo, mas cedeu o empate ao colorado logo no começo da segunda etapa. Aos 28 do segundo tempo, a polêmica: Tinga recebeu um belo passe de Fernandão e saiu na cara do gol, Fábio Costa saiu de maneira característica, com uma “voadora”. Acertou Tinga. Pênalti claríssimo… que só o árbitro Márcio Rezende de Freitas não viu; ele alegou que Tinga tentou simular e ainda expulsou o colorado, lhe dando o segundo amarelo (e penas que o árbitro Márcio Rezende de Freitas era considerado um dos melhores do Brasil na altura).

Ao final, Fábio Costa se sagrou campeão brasileiro com o Corinthians. Os corinthianos que estão a ler este artigo que me perdoem, mas esta é uma das grandes sacanagens do futebol brasileiro! Porém os “deuses do futebol” foram justos, afinal a parceria do Corinthians com a MSI afundou o coringão em dívidas e foi um pilar para o rebaixamento do alvinegro em 2007, além de que, o Inter fora “reembolsado” do roubo sofrido em 2005 no ano seguinte, quando o destino reservou que a equipe colorada liderada por Sóbis, Fernandão, Clemer e companhia viesse a ser campeã do mundo sobre o poderoso Barcelona em 2006.

Fábio Costa sofrendo gol de Paulo Baier, o primeiro na derrota para o Goiás por 3x2, em partida válida pela 42ª rodada do Brasileirão de 2005, a última daquele polêmico Brasileirão. Apesar da derrota, o Corinthians se sagrou campeão, afinal o Internacional perdeu para o Coritiba na rodada também – mesmo que os colorados vencessem, dificilmente se sagrariam campeões, visto que o saldo do Corinthians era superior e o máximo que o Inter podia fazer na última rodada era igualar o número de pontos do Corinthians, o que não aconteceu

Fábio Costa sofrendo gol de Paulo Baier, o primeiro na derrota para o Goiás por 3×2, em partida válida pela 42ª rodada do Brasileirão de 2005, a última daquele polêmico Brasileirão. Apesar da derrota, o Corinthians se sagrou campeão, afinal o Internacional perdeu para o Coritiba na rodada também – mesmo que os colorados vencessem, dificilmente se sagrariam campeões, visto que o saldo do Corinthians era superior e o máximo que o Inter podia fazer na última rodada era igualar o número de pontos do Corinthians, o que não aconteceu

Apesar de eu ter ido um pouco adiante com a parceria do Corinthians com a MSI, Fábio Costa não estaria no Corinthians em 2006, ele voltaria para o Santos. Depois da saída de Fábio Costa ao Corinthians, o Santos não se firmou mais com goleiros, Mauro e Saulo não renderam o esperado e o peixe foi atrás de goleiros em 2006. No primeiro momento, dava toda pinta que o novo titular seria Roger Noronha, o “eterno reserva” que já abordamos a carreira dele aqui no Muralhas Lendárias: Roger foi reserva de Rogério Ceni no São Paulo durante oito anos, quando parecia que teria oportunidade de titular no Santos, o peixe correu atrás do velho conhecido Fábio Costa, que pegou a titularidade para si.

A volta de Fábio Costa no Santos seria estrondosa, afinal ele já viria a conquistar o Campeonato Paulista logo de cara, após o Santos terminar em primeiro lugar geral (pontos corridos) e ainda fez com que o Santos terminasse o torneio com a melhor defesa da competição, sofrendo 19 gols em 19 jogos. Na Copa do Brasil, o Santos chegou até as quartas-de-final, quando foram eliminados pelo Ipatinga e fizeram um bom Brasileirão naquele ano, ao terminarem em quarto lugar.

Em 2007, o Santos conquistou novamente o Paulistão, agora novamente com mata-mata. O Santos terminou a primeira fase na liderança e enfrentaria o Bragantino na semifinal e passariam para a finalíssima após empatar os dois jogos sem gols (passou de fase por ter a melhor campanha na primeira fase). Na final, contra o São Caetano, o Santos se saiu campeão após perder a ida por 2×0 e devolver o placar na volta, se sagrando campeão diretamente por, mais uma vez, ter tido a melhor campanha na primeira fase.

Na Libertadores, o Santos caiu no Grupo 08, junto com o Defensor Sporting (Uruguai), Gimnasia y Esgrima (Argentina) e o Deportivo Pasto (Colômbia) e iria passar de fase com a melhor campanha de todas, ao vencer todas as partidas do grupo. Nas oitavas-de-final, o Santos eliminou o Caracas, da Venezuela, ao empatar em dois gols fora de casa e vencer por 3×2 em casa. Nas quartas, contra o América do México, um empate sem gols na ida e uma vitória por 2×1 em casa foram suficientes para classificar o peixe para as semifinais da Libertadores, fase em que foram eliminados pelo Grêmio, quando conheceram a primeira derrota na competição, ao perder no Olímpico Monumental por 2×0, sendo que a vitória por 3×1 na volta não fora suficiente para classificar o peixe, visto que o Grêmio passou graças a regra dos gols fora de casa.

Nota: o adversário do Santos na semifinais era para ser o Cúcuta Deportivo, da Colômbia, enquanto o adversário do Grêmio era pra ser o Boca Juniors. Entretanto, neste ano de 2007 passou a valer aquela infundada regra de que a Libertadores não pode ter uma final entre dois times do mesmo país, sendo modificada as chaves para que Grêmio e Santos se enfrentassem logo nas semifinais e não dessem a possibilidade destas equipes se enfrentarem na final. Aconteceu que o Grêmio passou de fase, enfrentou o Boca Juniors, “tomou uma surra” dos argentinos e saiu-se vice.

Ainda em 2007, o Santos saiu-se vice-campeão brasileiro, ao terminar em segundo lugar no Brasileirão, “apenas” quinze pontos atrás do São Paulo, que conquistava o quinto título do Brasileirão da história.

Fábio Costa levantando o troféu de campeão paulista de 2007

Fábio Costa levantando o troféu de campeão paulista de 2007

Em 2008, o Santos não teve grandes campanhas, em 2009 também não. Porém, no ano de 2009, Fábio Costa fraturou o pé esquerdo e iria ficar um bom tempo parado. Mesmo retornando, Fábio Costa não voltou mais a jogar no Santos, apenas treinou a parte. Com problemas com o elenco e a comissão técnica santista, Fábio Costa acabou sendo emprestado ao Atlético Mineiro, aonde também não atuou muito nos anos de 2010 e 2011.

No dia 29 de maio de 2012, Fábio Costa sofreu um gravíssimo acidente de carro. Ele estava no banco do passageiro de um Jeep Troller, o carro fora atingido frontalmente por um caminhão que transportava tubos. O motorista e amigo de Fábio Costa morreu no acidente, enquanto o goleirão teve apenas inchaço em um dos braços, que fora imobilizado com gesso.

Em janeiro de 2013, após muito tempo parado, Fábio Costa acabou assinando contrato com o São Caetano que duraria aquele ano.

A passagem pelo São Caetano só guardaria marcas negativas na carreira de Fábio Costa, afinal o São Caetano, que tanto aterrorizava gigantes brasileiros na época de Silvio Luiz, entrava em decadência pura que pendura até hoje, sendo que Fábio Costa vivenciou neste ano de 2013, dois rebaixamentos com o azulão, sendo um para a Série A2 do Paulistão e o outro um rebaixamento para a Série C do Brasileirão. Em ambas as ocasiões, dentre vinte times em cada competição, o São Caetano terminou em 19º. Além de tudo isto, um infeliz caso na carreira de Fábio Costa: ele havia prometido ser “racional” no São Caetano, para tentar livrar a imagem dele das polêmicas e de “jogador-problema” que tinha, apesar disto, Fábio Costa continuou tendo problemas com o elenco do São Caetano, inclusive fora acusado pelo lateral-direito da equipe, Samuel Santos, de racismo, xingando-o de “macaco”.

Polêmicas a parte, Fábio Costa ao final do ano de 2013 se aposentou, teve passagens marcantes em Santos e Corinthians, sendo que no peixe, ele foi o segundo goleiro que mais atuou na história do clube, com 345 partidas. Depois da aposentadoria, Fábio Costa continuou trabalhando na área do futebol, em uma empresa que administra carreira de jogadores. Além disto, continuou a se envolver em polêmicas, afinal, em agosto de 2015, Fábio Costa chegou a acionar o Santos, time pelo qual mais atuou e até virou ídolo, na justiça, reclamando o pagamento de salários atrasados que, pelas contas dele, chegavam em R$430.000.

Fábio Costa em ação pelo Atlético-MG em partida contra o Corinthians, válida pela 9ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2010. Neste lance, Fábio Costa caía no canto certo em um pênalti cobrado por Chicão logo no segundo minuto de jogo. Fábio Costa nem encostou na bola, Chicão chutou o pênalti pra fora. Apesar do pênalti perdido, o Corinthians venceria por 1x0 aquele jogo após um chute de Bruno César ter desviado no zagueiro do galo, Jayro Campos, engando Fábio Costa. O gol da vitória corinthiana saiu aos 35 do segundo tempo

Fábio Costa em ação pelo Atlético-MG em partida contra o Corinthians, válida pela 9ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2010. Neste lance, Fábio Costa caía no canto certo em um pênalti cobrado por Chicão logo no segundo minuto de jogo. Fábio Costa nem encostou na bola, Chicão chutou o pênalti pra fora. Apesar do pênalti perdido, o Corinthians venceria por 1×0 aquele jogo após um chute de Bruno César ter desviado no zagueiro do galo, Jayro Campos, enganando Fábio Costa. O gol da vitória corinthiana saiu aos 35 do segundo tempo

E esta foi a vigésima-oitava edição do Muralhas Lendárias aqui no Goleiro de Aluguel! Espero que vocês tenham gostado da abordagem da carreira do lendário e polêmico Fábio Costa. Agora o quadro volta só ano que vem (piadinha idiota) abordando a carreira de mais um lendário goleiro, até lá!

CORINTHIANS 2 x 3 SANTOS: FINAL DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2002

SANTOS 2 (3) x (1) 2 NACIONAL-URU: OITAVAS-DE-FINAL DA LIBERTADORES 2003

GRANDES DEFESAS DE FÁBIO COSTA

MEMORÁVEIS E VIOLENTAS SAÍDAS DE GOL DE FÁBIO COSTA