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O Boca Fala Daquilo que o Papão Tem Feito

Ronaldo, nome de craque em todas as posições, e hoje vamos homenagear o Ronaldo ex-goleiro do Corinthians? Não, o Ronaldo Willis Gomes Dias, ou simplesmente (e também) Ronaldo, que fez história com a camisa do Paysandu. Precisou de muito para isto? Não, precisou de apenas um jogo, em uma daquelas histórias de Copa Libertadores da América, em que já vimos muitos times surpreenderem e aprontar na competição, com o papão, em 2003, não foi diferente.

Boca Juniors, um time argentino, tradicional e cheio de grandes craques tanto hoje como na rica história do clube. O “caldeirão” do estádio La Bombonera é uma jaula de tortura para os adversários do Boca, vemos com frequência clubes brasileiros na Libertadores indo na Bombonera tomar sacode do Boca Juniors, mas já tiveram na história clubes que saíram de lá vitoriosos em meio ao caldeirão azul e amarelo da apaixonada torcida do poderoso Boca Juniors.

Em 1963, o Santos conquistou o bicampeonato da Copa Libertadores ganhando do Boca Juniors na Bombonera por 2×0 e fizeram a volta olímpica por lá, foi a primeira vez que um clube brasileiro conseguiu tal feito. A segunda, só viria a acontecer trinta e um anos depois, em 1994, quando o Cruzeiro ganhou do Boca Juniors na Bombonera por 2×1 na primeira fase do torneio e a terceira vez que isto ocorreu foi uma vitória do… Grêmio? São Paulo? Santos de novo? Cruzeiro novamente? Não! O Paysandu, sim, o papão do Pará, e o homenageado de hoje é o goleiro deste jogo.

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Como o Paysandu chegou a Libertadores? Pois bem, o Paysandu foi campeão da Copa Norte em 2002 e ganhou vaga para disputar a extinta Copa dos Campeões no mesmo ano, mas ninguém imaginava que o Paysandu surpreenderia, chegara na final contra o Cruzeiro e fora campeão do torneio, perderam o primeiro jogo da final por 2×1 em casa, devolveram por 4×3 no Mineirão e nos pênaltis venceram por 3×0. O Campeão da Copa dos Campeões ganhava uma vaga para a fase de grupos da Libertadores da América: com isto, o Papão se tornou o primeiro time da região norte do Brasil a disputar uma Libertadores.

E há quem disse que o Paysandu iria fazer feio… O papão bicolor caiu no Grupo 02 da Libertadores que também tinha as tradicionais equipes do Cerro Porteño, Sporting Cristal e Universidad Católica. O Paysandu teve a terceira melhor campanha geral, terminou o grupo em primeiro lugar com quatro vitórias e dois empates, com direito a um expressivo 6×2 para cima do Cerro Porteño fora de casa. Com isto, o papão se classificou para as oitavas-de-final da competição, que seria nada mais nada menos contra o grandioso Boca Juniors.

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“Profissão: reserva” esta era a situação de Ronaldo no Paysandu. O goleiro Marcão era titular absoluto do papão e estava a ser em todos os jogos do Paysandu na Libertadores, mas dias antes do jogo, Marcão não iria poder jogar a partida e Ronaldo foi escalado para jogar, mal sabia ele que apenas este jogo o deixaria com muita história para contar.

Perder de pouco? Estava bom. Empatar? Excelente! Ganhar? Um devaneio… Mas o jogo começou, Ronaldo no decorrer do jogo foi essencial fazendo importantes defesas para que o Boca Juniors não marcasse um gol, com a ajuda de Jorginho que neutralizou os ataques do Boca. Aos 23 minutos do segundo tempo, o impossível viria a acontecer: após um tiro de meta longo de Ronaldo, uma jogada envolvente, a bola caiu nos pés de Iarley que limpou o zagueiro e fez o gol em Abbondanzieri, abrindo o placar e decretara a vitória por 1×0 do Paysandu sobre o Boca Juniors em plena La Bombonera, algo que é motivo de orgulho aos bicolores até hoje, história esta que virou até filme.

Entretanto, na volta em casa, o Boca Juniors que além de ser uma equipe acostumada a jogar Libertadores e como bom argentino, joga melhor fora de casa do que dentro, reverteu o placar no Pará e derrotou Paysandu no Mangueirão por 4×2, sendo que dois gols do Boca Juniors foram de pênaltis e teve duas expulsões para o papão. Ronaldo também jogou este jogo.

Assim, o Boca Juniors se classificou para as quartas-de-final da Libertadores e eliminou o Paysandu, sendo esta a única derrota do Paysandu na Libertadores, e que custou bem caro. Detalhe: o Boca Juniors viria a ser campeão desta edição da Libertadores e no final daquele ano de 2003, seria campeão mundial em cima do Milan.

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Ronaldo não teve tanta história para contar comparado a outros goleiros já abordados aqui no site, ele passou por outros clubes depois, sendo eles: São José (RS), Luverdense (MT), Nacional (AM), Rio Branco (AC) e Social (MG). Entretanto, Ronaldo faria história e basicamente carreira no Paysandu, afinal ingressara no Paysandu com 20 anos e entre três passagens, somou 12 anos atuando pelo papão. Em 2012, Ronaldo se aposentou da profissão de goleiro no próprio Paysandu, porém passou a ser preparador de goleiros no papão logo em seguida.

E este foi o Muralhas Lendárias desta semana, bem mais curto que outras edições, afinal Ronaldo foi um bom goleiro sem muitas fontes para descrever, só que com uma bela e marcante história para contar enquanto goleiro do Paysandu. Semana que vem, o quadro volta com abordando mais um goleiro, até sexta que vem!

Ronaldo e Iarley comentando a vitória sobre o Boca Juniors em 2003: